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Denúncias de misoginia na internet disparam e acendem alerta para adolescentes

Levantamento da SaferNet aponta alta de 224% em 2025; especialistas destacam o papel das redes, dos algoritmos e do diálogo em casa para prevenir violência de gênero.

Por Redação Brazil Health , 02/06/2026

4 min de leitura

Denúncias de misoginia na internet disparam e acendem alerta para adolescentes

As denúncias de misoginia na internet aumentaram 224% em 2025, na comparação com o ano anterior, segundo a SaferNet Brasil. O dado reforça a preocupação de especialistas com a exposição precoce de adolescentes a conteúdos de ódio e violência contra mulheres e com o impacto disso na formação de valores, relacionamentos e noções de masculinidade.

O tema ganha ainda mais relevância em maio, mês marcado por mobilizações do 18 de Maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Ao completar 20 anos da Campanha Pra Toda Vida – A Violência Não Pode Marcar o Futuro das Crianças e Adolescentes, o Hospital Pequeno Príncipe afirma que enfrentar discursos misóginos na adolescência faz parte da prevenção de violências e da promoção de relações mais respeitosas.

Para a coordenadora do Serviço de Psicologia do Hospital Pequeno Príncipe, Angelita Wisnieski da Silva, o problema ultrapassa o ambiente doméstico. “Vivemos um momento em que o uso das redes sociais e do universo virtual deixou de ser apenas uma questão familiar. Ele se tornou um problema de saúde coletiva, que exige o envolvimento de diferentes esferas da sociedade: políticas públicas, profissionais da saúde, educação e, claro, a família”, afirma.

Como as redes podem amplificar o problema

Entre os pontos de atenção está a circulação de conteúdos que banalizam agressões e humilhações contra mulheres. Um exemplo citado por especialistas é a “trend” conhecida como “Caso ela diga não”, que levou o TikTok a ser investigado após vídeos em que homens simulavam violência contra mulheres diante de uma suposta rejeição amorosa.

De acordo com o debate levantado pela campanha, muitos adolescentes buscam a internet em momentos de frustração, conflitos sociais ou desilusões amorosas e, sem suporte emocional adequado, podem se tornar mais vulneráveis a discursos que reforçam estereótipos de gênero, objetificação feminina e padrões rígidos de masculinidade.

Outro fator é o funcionamento dos algoritmos, que tendem a recomendar conteúdos semelhantes aos já consumidos, criando um ciclo de repetição. Nessa dinâmica, narrativas misóginas podem se apresentar como “respostas” fáceis para inseguranças reais, estimulando relações marcadas por hostilidade e discriminação.

Repressão emocional e risco de violência

Especialistas também chamam atenção para a repressão emocional entre meninos. A ideia de que tristeza, medo e insegurança seriam sinais de fraqueza pode dificultar uma expressão saudável das emoções. Nesse contexto, frustrações e rejeições podem se transformar em raiva e ressentimento, por vezes direcionados a meninas e mulheres.

O que famílias podem observar

O fortalecimento do diálogo em casa é apontado como uma medida de proteção, já que modelos parentais baseados apenas em punição tendem a aumentar o afastamento e o segredo. Sinais que merecem atenção incluem:

  • mudanças bruscas de comportamento e isolamento excessivo;
  • consumo oculto de conteúdos on-line;
  • falas recorrentes de ódio contra meninas e mulheres;
  • dificuldade em lidar com frustrações e rejeições.

Quando há perda do diálogo ou mudanças mais intensas, a orientação é buscar apoio profissional. A campanha do hospital destaca que ambientes digitais mais seguros também dependem de compromisso das plataformas, além da atuação conjunta de famílias, escolas, saúde e políticas públicas. Em 2026, a iniciativa terá como mote “Proteger a infância é um compromisso de todos”.