Alienação parental pode afetar autoestima e aumentar risco de ansiedade em crianças
Especialistas explicam por que o conflito entre responsáveis pode afetar autoestima, vínculos e desempenho escolar e defendem avaliação cuidadosa para diferenciar alienação de situações de negligência ou violência.
Por Redação Brazil Health , 25/04/2026
3 min de leitura
A alienação parental é descrita na Lei nº 12.318/2010 como uma interferência na formação psicológica de crianças e adolescentes, geralmente em contextos de separação e disputa familiar, que dificulta ou rompe o vínculo com um dos responsáveis. O tema ganha visibilidade no Dia Internacional de combate à Alienação Parental, em 25 de abril, e tem sido tratado por profissionais da saúde como um problema que ultrapassa o debate jurídico.
Na prática, identificar o fenômeno é um desafio, porque ele não é um diagnóstico clínico e exige análise detalhada da dinâmica familiar. Ainda assim, especialistas alertam que a exposição prolongada a conflitos e a campanhas de desqualificação pode trazer consequências para o desenvolvimento emocional, com repercussões na infância, adolescência e vida adulta.
Para a psicóloga Mariana Ramos, professora da Afya Centro Universitário Itaperuna, a abordagem precisa ser integrada. “Estamos lidando com um fenômeno que envolve dimensões emocionais, cognitivas, jurídicas e relacionais. Por isso, a atuação multiprofissional é fundamental”, afirma.
Ela explica que, ao ouvir repetidamente ataques a um dos responsáveis, a criança pode incorporar essas narrativas e ter a própria autoimagem afetada. “Difamar a imagem de um dos responsáveis não impacta apenas essa pessoa, mas também a construção do autoconceito da criança, o que pode acarretar danos significativos”, diz.
Consequências psicológicas podem se estender até a vida adulta
O psiquiatra Rodrigo Eustáquio, professor da pós-graduação em Psiquiatria da Afya Vitória, afirma que rupturas forçadas de vínculo aumentam o risco de ansiedade – incluindo ansiedade de separação –, sintomas depressivos e dificuldades para formar relações afetivas. “Você tem um prejuízo no desenvolvimento da confiança interpessoal da criança, com colegas, professores e até no contexto familiar”, explica.
Segundo ele, os efeitos podem persistir e influenciar a construção da identidade, com maior vulnerabilidade a problemas de saúde mental ao longo do tempo.
Por que é preciso cautela ao avaliar cada caso
Os especialistas ressaltam que a análise deve ser cuidadosa e baseada em escuta qualificada, já que a rejeição a um dos pais nem sempre decorre de alienação parental. “A gente tem que ter prudência no diagnóstico e enxergar as conclusões de forma responsável, com avaliação multidisciplinar e escuta qualificada”, afirma Eustáquio, lembrando que pode haver histórico de negligência ou violência.
Mariana Ramos acrescenta que a psicoterapia pode ajudar como espaço de acolhimento e organização emocional, sem transformar o atendimento em uma disputa de versões. “O terapeuta não atua como julgador, mas como mediador da compreensão emocional”, diz. Entre os objetivos, ela cita trabalhar culpa e ansiedade, fortalecer autonomia emocional e, quando possível, apoiar a reconstrução de vínculos.
9 sinais de possível alienação parental
Segundo os especialistas, alguns comportamentos podem servir de alerta e devem ser avaliados no contexto familiar e com apoio profissional:
- Rejeição intensa e sem justificativa clara em relação a um dos responsáveis
- Repetição de falas negativas ou acusações com linguagem “adultizada”
- Polarização afetiva – um responsável visto como totalmente bom e o outro como totalmente ruim
- Medo, culpa ou ansiedade ao demonstrar afeto por um dos responsáveis
- Rompimento abrupto de um vínculo que antes era saudável
- Dificuldade em expressar sentimentos próprios sobre o conflito familiar
- Irritabilidade ou mudanças de comportamento
- Alterações no sono
- Queda no rendimento escolar
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