Cirurgia Oncológica

Abuso sexual infantil: psicóloga orienta como reconhecer sinais e buscar ajuda

Maio Laranja chama atenção para mudanças de comportamento que podem indicar violência; dados oficiais mostram aumento de denúncias e reforçam a necessidade de escuta e proteção dentro e fora de casa.

Por Redação Brazil Health , 20/05/2026

3 min de leitura

Abuso sexual infantil: psicóloga orienta como reconhecer sinais e buscar ajuda

Mudanças bruscas de comportamento, isolamento e queda no rendimento escolar podem ser alguns dos sinais de que uma criança está em situação de abuso sexual. O alerta é da psicóloga Andrea Beltran, especialista em comportamento infantil e infantojuvenil, que reforça a importância de adultos observarem alterações repentinas na rotina e procurarem ajuda diante de suspeitas.

O tema ganha visibilidade em maio, com a campanha Maio Laranja, que mobiliza o país no enfrentamento do abuso e da exploração sexual de crianças e adolescentes. O marco é o dia 18, data criada em memória de Araceli Crespo, menina assassinada em 1973 no Espírito Santo.

Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania indicam a dimensão do problema: entre janeiro e abril de 2026, o Disque 100 registrou mais de 32,7 mil violações sexuais contra crianças e adolescentes, alta de 49,48% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Segundo os registros, a maior parte das ocorrências acontece dentro da casa da vítima, do suspeito ou de familiares.

Sinais nem sempre deixam marcas visíveis

Beltran destaca que a ausência de sinais físicos não significa que não haja violência. “Muitas crianças demonstram o sofrimento por meio do comportamento. Mudanças bruscas de humor, isolamento, medo excessivo, agressividade, dificuldade escolar, regressão comportamental ou sexualização precoce podem ser sinais importantes e precisam ser observados com atenção”, afirma.

Outro fator que dificulta a identificação é que o agressor costuma estar perto. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam que mais de 84% dos casos envolvem familiares ou pessoas próximas da vítima.

“Existe uma ideia equivocada de que o perigo está sempre fora de casa, quando muitas vezes ele está em relações de confiança já estabelecidas. A criança pode sentir medo, culpa, confusão emocional e até receio de desestruturar a família caso fale sobre o assunto”, diz a psicóloga.

Escuta e diálogo como proteção

Em crianças pequenas, a dificuldade de relatar o que aconteceu pode ser ainda maior, por falta de repertório emocional e linguagem. “Nem sempre haverá um relato direto. Por isso, a escuta acolhedora e a observação constante dos adultos são fundamentais. Quando a criança percebe segurança e ausência de julgamento, ela tende a se sentir mais protegida para falar”, explica.

O ambiente digital também ampliou os riscos, com a circulação de material ilegal em plataformas e canais de mensagens. Levantamento da SaferNet apontou a presença de 2,65 milhões de usuários em grupos e canais do Telegram com imagens de abuso e exploração sexual infantil em 2024.

Para a especialista, a prevenção depende de informação e conversa adequada à idade, com orientações sobre limites do corpo e segurança. “Educar crianças sobre limites do próprio corpo, consentimento e segurança não é sexualização infantil. É proteção”, afirma.

Em caso de suspeita, a recomendação é levar a situação a sério e buscar orientação na rede de proteção. Denúncias podem ser feitas, inclusive de forma anônima, pelo Disque 100, que funciona 24 horas por dia.