Postura

Postura e Dor: Professora Explica o Papel do Movimento e Dá Dicas

Fisioterapeuta da Anhanguera defende variação de posições e pausas ativas ao longo do dia; dor é multifatorial e não se explica apenas por exames.

Por Redação Brazil Health , 31/10/2025

3 min de leitura

Postura e Dor: Professora Explica o Papel do Movimento e Dá Dicas

A ideia de que existiría uma “postura perfeita” para afastar dores vem perdendo força na ciência. Pesquisas recentes indicam que o corpo humano se adapta a diferentes jeitos de sentar e ficar em pé, e que o fator decisivo para o bem-estar é se movimentar com regularidade.

“O corpo foi feito para se mexer, dobrar, torcer, suportar peso e gerar força. Por isso, costumo dizer que a melhor postura é a próxima postura”, afirma Mariana Santos, professora do curso de Fisioterapia da Faculdade Anhanguera Piracicaba.

Postura ideal? A melhor é a próxima

Em vez de manter o tronco rígido o dia todo, variar posições e fazer pequenas pausas reduz a rigidez e a fadiga. Levantar da cadeira, mudar o ângulo do quadril, alongar braços e caminhar alguns minutos já fazem diferença.

“Ficar parado por longos períodos, mesmo numa posição considerada ‘correta’, tende a gerar cansaço muscular e incômodo”, diz a especialista. Segundo ela, o foco deve ser menos em alinhar milimetricamente a coluna e mais em alternar posturas ao longo do dia.

Dor não é sinônimo de exame alterado

A dor musculoesquelética é complexa e não depende só de postura ou de achados em exames. Fatores físicos, emocionais e comportamentais entram nessa conta e ajudam a explicar por que há pessoas com alterações visíveis em imagens que não sentem nada — e outras, com exames normais, que sofrem com dor.

Um exemplo citado por Santos é o do ombro: “Cerca de um em cada três adultos acima dos 60 anos apresenta lesões nos tendões do ombro e segue a vida sem dor ou limitação. Muitas só saberiam disso se fizessem uma imagem.”

Para ela, essa constatação é encorajadora: alterações em exames não definem o futuro do paciente. “O corpo é mais forte e adaptável do que imaginamos. Movimento orientado e gradual costuma ser um aliado poderoso no controle da dor”, reforça.

Dicas simples para o dia a dia

Pequenos ajustes de rotina ajudam a distribuir melhor a carga nos músculos e nas articulações, especialmente para quem trabalha sentado ou em pé por muito tempo.

  • Levantar-se a cada hora para alguns passos ou alongamentos leves
  • Alternar o apoio dos pés e variar a posição ao sentar
  • Ajustar altura da cadeira e da tela para reduzir esforço excessivo
  • Intercalar tarefas e evitar longas maratonas sentado
  • Se possível, incluir pequenas caminhadas ao longo do expediente

Recursos de ergonomia são bem-vindos, mas não substituem o hábito de se mover com frequência. Alternar tarefas, fazer pausas ativas e respeitar sinais do corpo tendem a prevenir desconfortos cumulativos ao fim do dia.

Santos resume a mensagem: “Dor não é punição da postura; muitas vezes é um recado de que o corpo precisa de movimento. Quando nos mexemos mais, funcionamos melhor”.