Pós-Câncer

Avanços em Reconstrução Mamária Pós-câncer Devolvem Autoestima e Qualidade de Vida

Cirurgias pelo SUS triplicaram em 2024; especialista explica como novas técnicas melhoram resultados físicos e emocionais.

Por Redação Brazil Health , 21/10/2025

3 min de leitura

Avanços em Reconstrução Mamária Pós-câncer Devolvem Autoestima e Qualidade de Vida

Com o câncer de mama ainda liderando as mortes por câncer entre mulheres no Brasil, a reconstrução de mama ganha espaço como parte essencial do cuidado. Estimativas do Inca apontam 73.610 novos casos em 2025, e mais de 20 mil brasileiras morreram pela doença em 2024.

Os números do Ministério da Saúde mostram a virada: foram 3.378 cirurgias reconstrutivas pelo SUS em 2024, mais que o triplo de 2023 (1.724). A ampliação do acesso em hospitais de alta complexidade ajudou a impulsionar a oferta.

Para a cirurgiã plástica Carolina Cescato, o momento da reconstrução faz diferença no bem-estar. “Quando é possível realizar a reconstrução na mesma cirurgia da retirada da mama, ou pouco tempo depois, vemos ganhos psicológicos e estéticos importantes”, afirma.

Demanda em alta no SUS

A procura por reconstrução acompanha o aumento dos diagnósticos e a maior informação das pacientes. Especialistas destacam que preparar a cirurgia reconstrutiva desde o planejamento oncológico melhora a experiência e reduz o tempo de recuperação.

A oferta, porém, depende da estrutura de cada serviço e da avaliação clínica individual. Em alguns casos, a reconstrução é adiada para priorizar a segurança oncológica, como durante quimioterapia ou radioterapia.

Técnicas mais modernas e personalizadas

Os avanços incluem o uso de tecido da própria paciente (como pele e gordura do abdômen), retalhos com preservação da microcirculação, enxerto de gordura para refinar o contorno e implantes de nova geração. Há ainda expansores que podem permanecer como solução definitiva e a tatuagem 3D para reconstrução da aréola, etapa que dá acabamento estético ao resultado.

“A reconstrução vai além da parte física. Devolve a sensação de integridade, reduz a ansiedade e ajuda a paciente a se sentir confortável consigo mesma, no convívio social e na vida íntima”, diz Cescato.

Segundo a especialista, combinar técnicas é cada vez mais comum para alcançar simetria e naturalidade. A escolha considera o tipo de tumor, tratamentos prévios, condições clínicas e objetivos pessoais.

Decisão compartilhada e segurança

Não existe uma solução única para todas. O melhor caminho é decidido em conjunto, com informações claras sobre benefícios, riscos e tempo de recuperação. “O mais importante é que a paciente participe ativamente da decisão com sua equipe, garantindo segurança e resultados mais satisfatórios”, conclui a médica.

Com mais acesso e tecnologia, a expectativa é que os números de reconstrução sigam em alta no país. Para as pacientes, o procedimento representa um passo importante para retomar a autoestima e a qualidade de vida após o tratamento do câncer de mama.