Poluição do Ar

Poluição do Ar Responde por 25 por Cento das Mortes Infantis e Agrava Crise no Brasil

Relatório internacional aponta impacto desproporcional em países pobres; queimadas e desmatamento elevam o risco no Brasil.

Por Redação Brazil Health , 25/10/2025

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Poluição do Ar Responde por 25 por Cento das Mortes Infantis e Agrava Crise no Brasil

Um novo relatório da Zero Carbon Analytics acende o alerta sobre o peso da poluição do ar na saúde infantil. Baseado em dados globais de doenças, o estudo estima que mais de um quarto das mortes de crianças menores de cinco anos no mundo está ligado ao ar sujo. Crianças morrem por exposição em taxas até seis vezes maiores que adultos, e os danos começam ainda na gestação.

“A poluição do ar é uma agressão invisível que corrói silenciosamente o futuro das crianças”, afirma o pneumologista brasileiro Felipe Saddy. “Partículas e gases tóxicos inflamam os pulmões, elevam o risco de infecções e agravam a asma.” O relatório relaciona a crise a vulnerabilidades estruturais: dependência de combustíveis fósseis, uso insustentável da terra e moradias com fogões a lenha ou carvão.

O peso no Brasil

No Brasil, quase 1.600 crianças morreram em 2021 por causas associadas à poluição do ar — em média, quatro por dia. A fumaça de queimadas e a queima de biomassa aparecem entre os principais fatores. Na Amazônia e no Centro do país, 60% da população está exposta a níveis inseguros, com os mais novos e os idosos no grupo de maior risco.

Secas agravadas pelas mudanças do clima, somadas ao desmatamento e ao fogo ligados à expansão de gado e soja, prolongam e intensificam a temporada de incêndios. A nuvem de fumaça viaja por centenas de quilômetros e chega a grandes centros, como São Paulo, provocando picos de problemas respiratórios e cardiovasculares.

Na temporada de fogo de 2024, as internações por doenças respiratórias cresceram 27,6% no país em relação a 2023, elevando os gastos hospitalares em cerca de US$ 2,2 milhões. Em São Paulo, as hospitalizações de crianças por problemas respiratórios subiram aproximadamente 77% em setembro de 2024.

Gravidez e aprendizado em risco

A exposição à fumaça durante a gestação aumenta a chance de parto prematuro e de baixo peso ao nascer. O relatório cita altas de até 41% no risco de prematuridade no Sudeste e de mais de 18% para baixo peso no Sul, além de ligação com malformações. Em São Paulo, a presença de partículas e monóxido de carbono foi associada a bebês menores ao nascer.

Entre crianças em idade escolar, níveis elevados de partículas ultrafinas e gases do trânsito prejudicam o desempenho acadêmico. Alunos de escolas públicas costumam estar mais expostos por viverem próximos a rodovias e áreas de incêndio, o que amplia desigualdades.

Desigualdade e soluções

O impacto é mais severo em países de baixa renda. “As crianças nos países mais pobres enfrentam taxas de mortalidade por poluição do ar até 94 vezes maiores do que nas nações ricas. Isso não é apenas uma questão ambiental — é uma questão de justiça”, diz Joanne Bentley-McKune, pesquisadora principal do relatório. Para ela, romper o ciclo exige transição para energia limpa e revisão de subsídios a combustíveis fósseis.

Os autores apontam que o modelo de exportação baseado na conversão de florestas em áreas agrícolas transfere custos de saúde e de clima para as regiões produtoras. Fontes como usinas a carvão, queimadas, fogões domésticos a lenha, emissões industriais e o tráfego urbano compõem o quadro.

Entre as medidas recomendadas estão produção livre de desmatamento com fiscalização rigorosa, rastreabilidade total das cadeias do agronegócio e financiamento climático internacional para práticas sustentáveis. A mensagem é direta: reduzir rapidamente a poluição, proteger florestas e cortar a dependência de combustíveis fósseis é decisivo para salvar vidas agora e no futuro.