Pneumonia

Pneumonia não é gripe forte: médicos alertam para sinais e reforçam vacinação

No Dia Mundial da Pneumonia, especialistas pedem atenção aos sinais, adesão às vacinas e busca rápida por atendimento. Poluição, desigualdade e mau uso de antibióticos elevam o risco e complicam o tratamento.

Por Redação Brazil Health , 12/11/2025

4 min de leitura

Pneumonia não é gripe forte: médicos alertam para sinais e reforçam vacinação

Confundida com uma gripe que não passa, a pneumonia segue entre as principais causas de internação e morte, sobretudo em crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas. A orientação de especialistas é clara: reconhecer os sinais cedo e vacinar são medidas que salvam vidas.

Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que, em 2019, mais de 740 mil crianças menores de 5 anos morreram por pneumonia. No Brasil, estudo do Jornal Brasileiro de Pneumologia aponta mortalidade hospitalar de 18% entre adultos com menos de 65 anos e acima de 23% entre idosos.

Sinais que exigem atenção

O intensivista Luis Mora, do Centro de Emergência Regional da Ilha do Governador, alerta que a demora na procura por ajuda é decisiva. “Muitos chegam ao hospital só quando já há falta de ar e queda de oxigenação, e isso muda completamente o desfecho clínico”, afirma. Segundo ele, o risco é maior em idosos, fumantes, diabéticos, pessoas com DPOC ou insuficiência cardíaca e quem tem baixa imunidade.

  • Febre que persiste por mais de 48 horas
  • Tosse com catarro amarelado ou esverdeado
  • Respiração curta ou acelerada e dor no peito
  • Cansaço extremo, chiado ou lábios arroxeados

Diante desses sinais, a recomendação é buscar avaliação médica e evitar a automedicação, especialmente com antibióticos.

Impacto nas crianças

Bebês e crianças pequenas são mais vulneráveis porque o sistema imunológico ainda está em formação. “Nos bebês, qualquer sinal respiratório deve ser levado a sério. Respiração acelerada, gemido ao respirar, recusa alimentar ou febre são motivos para procurar atendimento imediato”, orienta o neonatologista Júlio Cesar Pelegrini, do Hospital da Mulher Mariska Ribeiro.

Ele reforça medidas simples e eficazes: “Amamentação exclusiva até os seis meses, vacinação em dia, evitar tabagismo passivo e manter os ambientes ventilados fazem diferença direta na prevenção.”

Desigualdade e clima agravam o cenário

Condições de moradia precária, falta de saneamento, poluição e barreiras de acesso à atenção básica aumentam o risco de infecção e atrasam o diagnóstico. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde, crianças em comunidades de baixa renda têm até cinco vezes mais chance de morrer por pneumonia. “O desafio não é apenas tratar, mas garantir que as pessoas cheguem a tempo de serem tratadas”, diz Mora.

Mudanças climáticas, queimadas e piora da qualidade do ar também elevam internações por doenças respiratórias, como mostram estudos da OMS e da revista The Lancet. Outro entrave é a resistência bacteriana, ligada ao uso inadequado de antibióticos. “Casos antes controlados hoje exigem esquemas mais complexos e internações prolongadas”, relata o intensivista.

Vacinação e tratamento: o que fazer

Novas vacinas conjugadas contra o pneumococo ampliam a proteção contra mais cepas da bactéria e, segundo o Ministério da Saúde, têm potencial de reduzir casos graves e mortes em crianças e adultos. Pesquisas em terapias respiratórias e imunizantes de amplo espectro também avançam.

A mensagem final é de ação rápida. “Quando o tratamento começa cedo, a chance de recuperação completa é altíssima”, reforça Mora. Para Pelegrini, a regra vale para todas as idades: “A atenção aos sinais e a busca rápida por atendimento salvam vidas. Em bebês e crianças, cada hora conta.”