Educação Física

Uso de vape cresce entre jovens e médicos alertam para danos aos pulmões

No Dia Mundial sem Tabaco, especialistas chamam atenção para a alta do cigarro eletrônico no Brasil, apesar da proibição, e para sinais de alerta que devem levar a avaliação médica.

Por Redação Brazil Health , 27/05/2026

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Uso de vape cresce entre jovens e médicos alertam para danos aos pulmões

O Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, volta os holofotes para um comportamento que tem se espalhado entre adolescentes e jovens: o uso de cigarros eletrônicos, conhecidos como vapes. Com apelo de sabores e forte presença nas redes sociais, esses dispositivos ainda são vistos por parte do público como menos prejudiciais do que o cigarro comum, percepção que médicos contestam.

Mesmo com a comercialização proibida no Brasil, o número de usuários de cigarros eletrônicos aumentou cerca de 600% nos últimos seis anos, segundo levantamento do Ipec. Entre adolescentes, dados do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III) indicam que 8,7% dos jovens de 14 a 17 anos relataram ter usado vape no último ano, proporção cerca de cinco vezes maior do que a registrada para cigarros tradicionais.

Substâncias tóxicas e risco de lesões graves

Para a pneumologista Isabella Peixoto, do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), a ideia de que o vape representa redução de danos não se sustenta. “Os vapores contêm substâncias comprovadamente tóxicas e carcinogênicas, como benzeno, formaldeído e metais pesados. O uso está associado a danos ao sistema respiratório, muitas vezes irreversíveis, além de aumentar o risco cardiovascular”, afirma.

Entre os efeitos descritos por especialistas estão piora de doenças como asma e DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), além de maior vulnerabilidade a infecções. Há ainda o risco de EVALI – lesão pulmonar associada ao uso de cigarro eletrônico, quadro que pode causar comprometimento severo dos pulmões e insuficiência respiratória aguda.

Nicotina e dependência: por que o vape pode “prender” mais

Além dos danos respiratórios, o vape pode favorecer a dependência de nicotina. “A nicotina presente no vape pode ser absorvida em maior quantidade e mais rapidamente do que no cigarro convencional. Além disso, a possibilidade de ajustar a concentração favorece o uso abusivo. Sabemos que usuários de vape têm até três vezes mais chance de migrar para o cigarro tradicional”, alerta a pneumologista.

No sistema cardiovascular, a nicotina pode elevar pressão arterial e frequência cardíaca e aumentar o risco de complicações, como o AVC, devido aos efeitos sobre os vasos sanguíneos.

Sinais de alerta e quando buscar avaliação

Tosse persistente, falta de ar, cansaço aos esforços e palpitações são sintomas que podem indicar prejuízos associados ao uso de vape e devem ser investigados. Em adolescentes, mudanças comportamentais como irritabilidade, alterações no sono e isolamento social também podem estar relacionadas ao consumo e merecem atenção de familiares e profissionais de saúde.

Em Campinas (SP), o Vera Cruz Hospital mantém um programa voltado à saúde pulmonar, com foco em prevenção, diagnóstico precoce e apoio à cessação do tabagismo, incluindo acompanhamento multidisciplinar. O acesso pode ocorrer por consulta com pneumologista ou por encaminhamento médico, especialmente em casos de sintomas respiratórios ou exposição a fatores de risco.