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Estudo alerta: oxímetro comum pode mudar diagnóstico de apneia do sono em até 40%

Análise de quase 10 mil exames aponta que oxímetros com pouca precisão podem alterar a leitura da gravidade e influenciar decisões de tratamento.

Por Redação Brazil Health , 11/06/2026

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Estudo alerta: oxímetro comum pode mudar diagnóstico de apneia do sono em até 40%

Quatro em cada 10 pacientes investigados para apneia obstrutiva do sono podem ter o diagnóstico ou a gravidade do problema classificados de forma diferente quando o exame usa oxímetros tradicionais, com menor capacidade de captar pequenas variações de oxigênio no sangue. A conclusão é de um estudo publicado na revista científica Sleep Medicine.

Os pesquisadores analisaram 9.551 exames de pessoas com suspeita de apneia e compararam duas formas de leitura da saturação periférica de oxigênio (SpO2). Uma delas registrava variações em incrementos de 0,1%; a outra simulava o padrão mais comum em equipamentos convencionais, com valores arredondados para números inteiros, em passos de 1%.

Segundo o trabalho, a diferença de resolução muda a identificação das quedas de oxigênio ao longo da noite e pode levar a estimativas distorcidas de indicadores usados na prática clínica, como o índice de dessaturação e a chamada carga hipóxica.

Quando a precisão do oxímetro muda o resultado

Na comparação entre as duas leituras, a classificação da presença ou da gravidade da apneia foi diferente em 40% dos pacientes quando se adotou o critério de queda de 3% na oxigenação. Quando o critério foi uma queda de 4%, a divergência apareceu em 31% dos casos.

Para os autores, isso significa que a capacidade do equipamento de registrar oscilações menores pode influenciar diretamente a interpretação do exame e, consequentemente, a definição do quadro do paciente.

Exame domiciliar entrou na análise

O estudo usou dados de uma plataforma de diagnóstico domiciliar que permite a realização do teste em casa, com um dispositivo portátil. A proposta desse tipo de modelo é ampliar o acesso ao exame sem necessidade de passar a noite em um laboratório do sono.

“A apneia envolve interrupções repetidas da respiração, queda na oxigenação e fragmentação do sono. Ao longo do tempo, isso sobrecarrega o organismo. Um diagnóstico preciso é o primeiro passo para uma conduta adequada – e essa pesquisa mostra que a resolução do oxímetro faz diferença real nessa avaliação”, afirmou o pneumologista Geraldo Lorenzi Filho, diretor médico da Biologix, em declaração incluída no estudo.

Por que um diagnóstico errado preocupa

A apneia obstrutiva do sono é associada a aumento do risco cardiovascular e pode se relacionar a hipertensão, diabetes e piora do desempenho cognitivo, além de sonolência e impacto na qualidade de vida. Na prática, uma classificação incorreta pode tanto atrasar o início do tratamento quanto levar a condutas que não correspondem à necessidade real do paciente.