Cirurgia Geral

Síndrome de Down: estudo alerta para saúde mental de irmãos que viram cuidadores

Revisão com mais de 10 mil participantes indica que assumir responsabilidades cedo pode trazer ansiedade e preocupação com o futuro; pediatra defende incluir irmãos no acompanhamento da família.

Por Redação Brazil Health , 21/03/2026

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Síndrome de Down: estudo alerta para saúde mental de irmãos que viram cuidadores

Um estudo publicado em 2025 na revista Clinical Child and Family Psychology Review chamou atenção para um tema pouco discutido no Dia Internacional da Síndrome de Down, celebrado em 21 de março: como ficam os irmãos de pessoas com deficiência intelectual e autismo, que muitas vezes assumem funções de cuidado dentro de casa.

A pesquisa reuniu dados de mais de uma década de estudos, somando mais de 10 mil participantes, para avaliar o impacto emocional e comportamental nesses irmãos. Os autores descrevem um quadro diverso, em que responsabilidades precoces são comuns, mas os efeitos na saúde mental variam conforme a dinâmica familiar e o acesso a suporte especializado.

Quando o irmão vira cuidador

Entre os pontos analisados está a “parentificação” – situação em que o irmão passa a desempenhar tarefas e responsabilidades típicas dos pais. Segundo o levantamento, esse processo pode aparecer como resultado de necessidades práticas da família, mas também pode gerar sofrimento quando ocorre sem diálogo e apoio.

“É comum que irmãos assumam responsabilidades desde cedo, inclusive com preocupações sobre o futuro. Quando não há diálogo claro e apoio adequado, isso pode gerar sofrimento silencioso”, afirma a pediatra Anna Dominguez Bohn.

Impactos podem ser positivos e negativos

O estudo aponta que a convivência pode favorecer aspectos como empatia, maturidade e senso de propósito. Ao mesmo tempo, também são relatados desafios como ansiedade, ambivalência emocional e preocupação intensa com o que acontecerá no futuro, especialmente em famílias que enfrentam maior sobrecarga.

Os autores indicam que a severidade do quadro pode aumentar tensões na rotina familiar. Ainda assim, destacam que comunicação aberta e acesso a apoio profissional são fatores capazes de reduzir riscos e fortalecer o desenvolvimento emocional de todos.

Suporte deve incluir toda a família

Para a pediatra, o cuidado não pode se limitar à pessoa com deficiência e aos pais. “Irmãos podem desenvolver empatia e maturidade importantes, mas isso não deve ocorrer à custa de sobrecarga emocional. O acompanhamento profissional, grupos de apoio e orientação parental têm impacto significativo na saúde mental de toda a família”, diz.

Outro achado do estudo envolve desigualdade de gênero: irmãs tendem a assumir mais responsabilidades no cuidado, o que reforça a sobrecarga feminina ao longo da vida. “Estruturar estratégias de rastreamento psicológico, oferecer apoio preventivo e garantir comunicação aberta dentro das famílias são medidas que contribuem para um desenvolvimento mais saudável de todos os envolvidos”, conclui Bohn.