Cirurgia Geral

Projeto em SP vai treinar 600 profissionais para prevenir violência contra jovens com deficiência

Formação gratuita ocorre em 12 municípios até dezembro de 2026 e busca melhorar a identificação, o acolhimento e o encaminhamento de casos na rede de proteção.

Por Redação Brazil Health , 15/05/2026

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Projeto em SP vai treinar 600 profissionais para prevenir violência contra jovens com deficiência

Crianças e adolescentes com deficiência intelectual estão entre os grupos mais vulneráveis à violência no Brasil, segundo dados do Atlas da Violência (2024), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Para enfrentar o problema, um projeto em 12 municípios do estado de São Paulo pretende capacitar profissionais da rede de proteção para reconhecer sinais de violação de direitos e orientar as famílias sobre como agir.

Chamado Territórios e Redes: deficiência, autonomia e prevenção à violência, o programa é conduzido pelo Instituto Jô Clemente (IJC), com apoio do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (Condeca) e da Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo. A meta é formar gratuitamente 600 profissionais até dezembro de 2026.

“Os encontros fortalecem a atuação de quem está na linha de frente, ampliando a capacidade de identificar situações de risco e a dar encaminhamento aos casos”, afirma Daniela Farias, supervisora de centros de apoios técnicos do IJC.

Por que o tema preocupa

Estudos citados pelo Ipea indicam que a violência contra pessoas com deficiência pode ser até 3,7 vezes maior do que entre pessoas sem deficiência, com maior incidência entre crianças e adolescentes, especialmente na faixa de 10 a 19 anos. As notificações apontam ainda maior vulnerabilidade entre pessoas com deficiência intelectual, que concentram os maiores índices de violência.

O projeto também contextualiza o cenário da deficiência no país. Pelo Censo 2022, cerca de 7,3% da população brasileira tem algum tipo de deficiência; no estado de São Paulo, o percentual é de 6,3%. A Lei Brasileira de Inclusão define pessoa com deficiência como aquela que tem impedimentos de longo prazo que, ao interagir com barreiras, pode ter limitada sua participação plena na sociedade.

Como será a capacitação

Em cada município participante, estão previstos quatro encontros formativos e um seminário. Os módulos abordam temas como deficiência intelectual, contexto social e familiar, identificação de violações de direitos, prevenção e articulação entre serviços para acolhimento e encaminhamento dos casos.

Cada cidade terá quatro módulos de quatro horas, com 50 vagas, além de um seminário de quatro horas com 80 vagas. Recebe certificado quem tiver presença mínima de 75%.

Onde o projeto acontece

As formações serão realizadas em Araçatuba, Bragança Paulista, Itapeva, Jaú, Lins, Marília, Piracicaba, Santa Cruz do Rio Pardo, São Carlos, São Sebastião, Taubaté e Valinhos.

“A formação também cria espaço para fortalecer os serviços existentes e a articulação entre diferentes áreas e setores”, diz Deisiana Paes, gerente da área de Defesa de Direitos e Inclusão Social do IJC. “Com isso, contribui para o aprimoramento das políticas públicas nos territórios e para a garantia de direitos de crianças e adolescentes com deficiência intelectual.”