Maio Laranja: diálogo em casa ajuda a prevenir abuso sexual infantil
Campanha chama atenção para a violência contra crianças e adolescentes e reforça sinais de alerta e orientações de prevenção, incluindo cuidados no ambiente digital e a importância de denunciar.
Por Redação Brazil Health , 12/05/2026
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A campanha Maio Laranja, voltada à conscientização sobre abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes, reacende o alerta para a dimensão do problema no Brasil. Estimativas citadas por especialistas indicam que cerca de 70% das vítimas de violência sexual no país são crianças e adolescentes, o que representaria ao menos três casos por hora.
Para o endocrinologista pediátrico Miguel Liberato, o enfrentamento passa por informação e conversa direta dentro de casa. “Quando falamos em abuso infantil, estamos falando de qualquer ato de conotação sexual envolvendo crianças e adolescentes, com ou sem contato físico”, afirma.
O médico também chama atenção para um ponto que costuma contrariar a expectativa de muitas famílias. “Na maioria das vezes, esse abuso não vem de um desconhecido. Ele acontece dentro de casa ou no círculo de convivência da criança, por alguém próximo, alguém de confiança”, diz.
Quem pode estar mais vulnerável
Embora qualquer criança possa ser vítima, alguns grupos podem estar mais expostos, segundo o especialista. “Meninas, crianças em contextos mais frágeis, residentes em regiões periféricas, com algum grau de deficiência ou até mesmo com puberdade precoce podem estar mais expostas, porque muitas vezes passam a ser vistas de forma inadequada para a idade”, explica.
Prevenção começa com orientação simples
Liberato defende que a proteção não se resume à vigilância constante, mas à criação de um ambiente seguro para a criança falar. “A principal forma de proteger uma criança não é controle. É diálogo e informação. A falta de informação não protege, ela só aumenta a vulnerabilidade”, afirma.
Na prática, isso envolve ensinar desde cedo noções de intimidade, limites e autonomia corporal. “É importante nomear corretamente as partes do corpo, ensinar limites e explicar o que pode e o que não pode em relação ao próprio corpo. Uma regra simples ajuda muito: aquilo que fica coberto pela roupa de banho é íntimo e não deve ser tocado, fotografado ou exposto”, orienta.
Outro aprendizado essencial, segundo ele, é diferenciar surpresa de segredo. “A criança precisa entender que surpresa é algo bom e temporário. Já o segredo que causa medo ou desconforto não deve existir e precisa ser contado para os pais”, diz.
Sinais de alerta e o que fazer
Mudanças bruscas de comportamento podem indicar sofrimento e devem ser observadas no contexto: queda no rendimento escolar, regressão no desenvolvimento – como voltar a fazer xixi na cama –, isolamento, agressividade e atitudes sexualizadas incompatíveis com a idade.
“Nenhum desses sinais, isoladamente, fecha diagnóstico. Mas eles precisam sempre ser analisados no contexto”, ressalta o médico, lembrando que algumas crianças podem expressar o que vivem por meio de desenhos e brincadeiras.
O ambiente digital também exige cuidado. “Hoje muitos casos começam no meio virtual e podem evoluir para situações presenciais”, afirma.
Se a criança tentar contar algo, a reação do adulto pode ser decisiva para que ela continue falando e receba ajuda. “A primeira reação pode marcar essa criança para sempre. É fundamental acreditar, acolher e deixar claro que a culpa nunca é dela”, orienta.
Ele reforça que a responsabilidade de agir é dos adultos e que a denúncia deve ser feita aos canais oficiais. “Proteger também significa agir. É uma situação que deve ser denunciada aos canais oficiais. Isso não se resolve dentro de casa”, diz. A orientação é procurar o Conselho Tutelar e acionar o Disque 100.
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