Cirurgia Geral

Estudo nos EUA aponta uso de telas nas refeições em 8 de cada 10 pais e 7 de cada 10 crianças

Pesquisa com famílias de crianças de 4 a 10 anos indica que celulares e outros dispositivos já fazem parte do jantar, o que pode reduzir conversas e a interação entre adultos e filhos.

Por Redação Brazil Health , 28/06/2026

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Estudo nos EUA aponta uso de telas nas refeições em 8 de cada 10 pais e 7 de cada 10 crianças

O uso de telas durante as refeições em família é comum em lares dos Estados Unidos e envolve tanto adultos quanto crianças, segundo um estudo publicado em 15 de junho no periódico JAMA Pediatrics. A pesquisa ouviu 357 pais ou cuidadores de crianças de 4 a 10 anos e encontrou relato de uso de algum dispositivo eletrônico por 77,6% dos adultos na última refeição em família, além de 68,7% das crianças.

Os dados indicam que, para muitas famílias, o momento da refeição vem sendo compartilhado com celulares, tablets, TVs ou videogames, o que pode afetar a convivência e a comunicação entre os membros da casa.

Celular predomina entre adultos; crianças veem vídeos e jogam

Entre os pais e cuidadores, o smartphone apareceu como o dispositivo mais usado, principalmente para navegar, trocar mensagens e fazer ligações. Já entre as crianças, o padrão mais frequente foi o consumo de conteúdo e entretenimento, como assistir a vídeos e programas e jogar, em telas menores e maiores.

Para a pediatra Anna Dominguez Bohn, os números mostram uma mudança de comportamento em um momento tradicionalmente associado à convivência. “As refeições em família continuam sendo um momento fundamental de vínculo. O que o estudo mostra é que o uso de telas já faz parte dessa rotina tanto entre adultos quanto entre crianças”, afirma.

Uso simultâneo é frequente e pode exigir orientações diferentes

Em quase dois terços das famílias avaliadas (65,3%), pais e crianças usaram telas ao mesmo tempo durante a refeição. O estudo também apontou que o uso de dispositivos por adultos não determinou o tipo de tela utilizado pelas crianças, e o inverso também não foi observado, sugerindo hábitos paralelos no ambiente familiar.

“Apesar de sabermos que os hábitos dos pais são referências importantes na modulação do comportamento infantil, o estudo identificou diferenças na forma de utilização e no tipo de dispositivo usado por adultos e crianças. Esse achado mostra a importância de ações individualizadas e orientações distintas para cada grupo”, diz a pediatra.

Menos conversa à mesa pode afetar vínculos

Pesquisas anteriores já associaram refeições em família a desfechos positivos, como menor risco de transtornos alimentares e de uso de substâncias, além de menores índices de depressão e ansiedade na adolescência e na vida adulta, sobretudo quando há interação ativa entre os participantes.

Segundo Bohn, o desafio está em como a presença constante de telas pode comprometer um espaço importante de diálogo. “Quando a atenção está dividida por telas, a refeição perde parte do seu papel como espaço de conversa e troca. Isso pode reduzir oportunidades importantes de interação e desenvolvimento infantil”, conclui.