Outubro Verde

Outubro Verde: Brasil Supera 1,5 Milhão de Casos de Sífilis e Reforça a Testagem

Com casos em alta no país, especialistas explicam como a infecção se transmite, é detectada e tem cura.

Por Redação Brazil Health , 23/10/2025

3 min de leitura

Outubro Verde: Brasil Supera 1,5 Milhão de Casos de Sífilis e Reforça a Testagem

A sífilis voltou ao centro do debate em saúde pública. Entre 2010 e junho de 2024, o Brasil registrou 1.538.525 casos de sífilis adquirida, e 2023 marcou a maior taxa da série histórica: 113,8 casos por 100 mil habitantes. O alerta também vale para gestantes e bebês, com impacto direto na mortalidade infantil.

Provocada por uma bactéria, a sífilis é conhecida como a “grande imitadora” por apresentar sinais variados — ou nenhum — e pode evoluir silenciosamente, afetando órgãos e o sistema nervoso quando não é tratada. A boa notícia é que há diagnóstico acessível e tratamento eficaz.

Transmissão: não é preciso múltiplos parceiros

Um único contato sexual desprotegido — vaginal, anal ou oral — com pessoa infectada pode transmitir a doença. A sífilis também passa da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto. Em situações raras, pode ocorrer por transfusão de sangue ou contato direto com lesões ativas.

O uso de preservativos e a testagem periódica são as medidas mais efetivas para cortar a cadeia de transmissão. Testes que detectam anticorpos no sangue permitem diagnóstico rápido e início precoce do tratamento.

Diagnóstico e tratamento: simples e com alta eficácia

Apesar de confundir por imitar outras doenças, hoje o diagnóstico é ágil e confiável. A penicilina benzatina continua sendo a terapia padrão e cura a infecção quando o esquema é seguido corretamente, com acompanhamento médico para confirmar a resposta ao tratamento.

É possível se reinfectar após a cura. Por isso, a prevenção não pode parar, mesmo para quem já tratou a doença.

  • Mito: “Só quem tem muitos parceiros pega sífilis.” Basta uma exposição desprotegida para ocorrer a transmissão.
  • Mito: “Se a ferida inicial sumir, estou curado.” A lesão pode desaparecer sozinha, mas a bactéria permanece ativa sem tratamento.
  • Verdade: “Posso ter sífilis de novo após tratar.” Não há imunidade permanente; novas exposições podem causar reinfecção.
  • Mito: “É difícil diagnosticar sífilis.” Testes de sangue identificam a infecção com precisão, mesmo sem sintomas.
  • Verdade: “O tratamento é eficaz.” A penicilina benzatina cura a doença quando aplicada no esquema indicado.

Gestação exige urgência

Desde 2005, foram 713.167 casos de sífilis em gestantes no país. A falha no diagnóstico e no tratamento no pré-natal leva à sífilis congênita: 344.978 registros em bebês menores de um ano desde 1999. Em 2023, o coeficiente de mortalidade foi de 7,7 óbitos por 100 mil nascidos vivos.

O tratamento da gestante com penicilina é a medida mais eficaz para evitar infecção no bebê e deve começar o quanto antes. Testes no pré-natal precisam ser ágeis e integrados, permitindo checar sífilis e outras infecções na mesma consulta.

“A informação, aliada à disponibilidade de ferramentas diagnósticas precisas, salva vidas e é a ferramenta mais poderosa para enfrentarmos essa doença e protegermos a saúde da população. É hora de falar abertamente sobre sífilis, combater o estigma e garantir que cada indivíduo tenha acesso ao conhecimento e ao cuidado que merece”, afirma o infectologista Alberto Chebabo, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia.