Medicina Intensiva

Tratamento correto de queimaduras pode reduzir risco de cicatrizes e limitar sequelas

Controle da umidade, proteção contra contaminação e menos atrito na ferida ajudam a pele a cicatrizar melhor, especialmente em áreas próximas a articulações.

Por Redação Brazil Health , 26/03/2026

3 min de leitura

Tratamento correto de queimaduras pode reduzir risco de cicatrizes e limitar sequelas

Queimaduras estão entre as lesões de pele mais comuns no dia a dia, causadas por líquidos quentes, superfícies aquecidas, sol em excesso e acidentes domésticos. Apesar de muitas parecerem simples, a forma como a ferida é cuidada nos primeiros dias pode influenciar diretamente a cicatrização e o risco de marcas permanentes.

Quando o manejo é inadequado, a lesão pode evoluir com cicatrizes elevadas, retrações e até limitação de movimentos, principalmente se atingir regiões próximas a articulações, como mãos, braços, joelhos e ombros. A pele tem papel essencial na proteção do corpo, na regulação da temperatura e na sensibilidade, funções que ficam comprometidas após uma queimadura e exigem cuidado específico.

“A queimadura provoca uma ruptura importante da barreira cutânea. Além da perda da função de proteção contra agentes externos, há danos em estruturas fundamentais, como vasos sanguíneos, terminações nervosas e células responsáveis pela regeneração da pele”, afirma a enfermeira Andrezza Silvano Barreto, especialista em cuidados clínicos.

Por que a ferida precisa de um ambiente adequado

Segundo a especialista, a cicatrização tende a ser pior quando a ferida fica muito ressecada, sofre atrito constante ou é contaminada. Nesse cenário, o organismo pode produzir colágeno de forma desorganizada, aumentando a chance de cicatrizes hipertróficas (mais altas e endurecidas), retrações e comprometimento funcional.

Nos últimos anos, tecnologias usadas em curativos passaram a buscar um “microambiente controlado” na lesão, com umidade adequada, proteção e troca gasosa, fatores associados a uma cicatrização mais organizada.

Curativos tecnológicos e controle de umidade

“Esses materiais atuam mantendo um microambiente controlado sobre a lesão, equilibrando fatores como umidade, proteção contra contaminação e troca gasosa”, diz Andrezza. Ela cita como exemplo a Membracel, curativo biocompatível à base de celulose cristalina, utilizado como substituto temporário da pele em algumas situações.

De acordo com a especialista, a membrana funciona como barreira protetora, reduzindo a área exposta da ferida e, com isso, o risco de contaminação e agressões externas durante a regeneração. A estrutura com microporos permite troca de gases e ajuda a conduzir o excesso de exsudato (líquido liberado no processo inflamatório) para um curativo secundário, contribuindo para manter a umidade em níveis considerados favoráveis à cicatrização.

Outro possível efeito é a diminuição da dor ao isolar terminações nervosas expostas, além de favorecer a formação do tecido de granulação, etapa importante da reconstrução da pele.

O que fazer nos primeiros minutos após a queimadura

Andrezza ressalta que a conduta inicial também pesa no desfecho. As orientações mais citadas incluem:

  • Resfriar a área com água corrente em temperatura ambiente;
  • Evitar receitas caseiras e produtos não indicados, como manteiga e pasta de dente;
  • Procurar avaliação médica quando houver bolhas, dor intensa ou grande área de pele atingida.

Especialistas reforçam que reduzir cicatrizes não é apenas uma questão estética: quando a pele cicatriza melhor, há menor risco de retrações e de perda de mobilidade, com impacto direto no conforto e na qualidade de vida durante a recuperação.