Medicina Intensiva

Saúde da boca pode afetar coração e imunidade; veja sinais de alerta

Metade dos adultos no Brasil tem ao menos um dente com cárie não tratada, segundo o SB Brasil 2023. Dentista explica como inflamações na boca podem repercutir no organismo e quais hábitos ajudam a prevenir problemas.

Por Redação Brazil Health , 20/03/2026

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Saúde da boca pode afetar coração e imunidade; veja sinais de alerta

A saúde da boca vai além do sorriso e pode influenciar outras partes do corpo, como o coração, os pulmões e o sistema imunológico. Mesmo assim, o cuidado diário e as consultas de rotina ainda ficam em segundo plano para muitos brasileiros: a pesquisa SB Brasil 2023, do Ministério da Saúde, aponta que metade dos adultos no país tem um ou mais dentes com cárie não tratada.

Para a dentista Milca Cabral, a ligação entre boca e organismo tem uma explicação direta. “A saúde bucal está diretamente relacionada à saúde geral do organismo, pois a boca é uma das principais portas de entrada para bactérias”, afirma.

Segundo ela, quando há inflamação ou infecção na boca, o problema pode deixar de ser local. “Quando há infecções ou inflamações bucais, microrganismos podem alcançar a corrente sanguínea, desencadeando processos inflamatórios que afetam outros órgãos”, diz.

O que pode acontecer quando a higiene é negligenciada

A falta de escovação adequada e do uso do fio dental favorece o acúmulo de placa bacteriana e tártaro, aumentando o risco de gengivite e periodontite. De acordo com Cabral, esse quadro pode se relacionar a complicações que envolvem diferentes sistemas do corpo.

Entre os problemas associados estão o aumento da inflamação sistêmica – que pode contribuir para doenças cardiovasculares –, além de impactos em pessoas com diabetes, nas quais infecções bucais podem dificultar o controle da glicemia e alimentar um ciclo de piora da inflamação.

A dentista também chama atenção para a possibilidade de bactérias da boca serem aspiradas e chegarem aos pulmões, favorecendo quadros como pneumonia e bronquite, especialmente em pessoas mais vulneráveis.

Sintomas na boca que merecem avaliação

Alguns sinais indicam que é hora de reforçar os cuidados e procurar um dentista. Cabral cita:

  • sangramento na gengiva
  • mau hálito persistente
  • dor ou sensibilidade nos dentes
  • inchaço ou vermelhidão na gengiva
  • dente amolecendo
  • feridas na boca que não cicatrizam

Ela acrescenta que alterações na mucosa, boca seca, sangramentos, infecções recorrentes e mudanças no paladar podem estar associadas a condições como anemia, diabetes, deficiências nutricionais ou doenças autoimunes. “O diagnóstico precoce permite tratar tanto o problema bucal quanto possíveis doenças sistêmicas, prevenindo futuras complicações”, afirma.

Hábitos que ajudam a proteger a saúde geral

Entre as medidas básicas, a orientação é escovar os dentes pelo menos três vezes ao dia, usar fio dental diariamente, escolher creme dental com flúor e higienizar a língua. Também ajudam reduzir o consumo frequente de açúcar, manter uma alimentação equilibrada e evitar o tabagismo.

As consultas regulares completam a prevenção. Cabral recomenda visitas ao dentista a cada seis meses, com intervalos menores para pessoas com doenças crônicas, histórico de problemas gengivais ou uso de próteses, seguindo a orientação profissional.