Outono aumenta queixas de alergia e pode afetar olhos e ouvidos, alertam médicos
Com ar mais seco e maior concentração de poeira e poluição, crescem casos de irritação ocular, rinite, sinusite e otite. Especialistas recomendam hidratação, lavagem nasal e cuidado com a automedicação.
Por Redação Brazil Health , 24/04/2026
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A queda de temperatura e a redução da umidade do ar no outono não impactam apenas o nariz entupido. Segundo o Hospital CEMA, em São Paulo, a procura por atendimento por crises alérgicas e inflamações típicas da estação pode aumentar em até 50%, com reflexos também nos olhos e nos ouvidos.
A combinação de tempo seco, poeira e poluição favorece quadros como rinite e sinusite, que podem evoluir para infecções e, em alguns casos, desencadear complicações em estruturas conectadas às vias respiratórias. O alerta ganha importância especialmente para crianças, idosos e pessoas com histórico de alergias, asma e problemas respiratórios.
Olhos também sofrem com o ar seco
Além da coceira e da irritação, o outono pode aumentar sintomas de olho seco, já que a lágrima evapora mais rapidamente em ambientes com baixa umidade. A presença de ácaros e poeira em suspensão também eleva o risco de conjuntivite alérgica e de piora do desconforto ocular.
“O sistema lacrimal e as mucosas oculares estão diretamente conectados às vias aéreas. Quando o nariz inflama, o canal que drena a lágrima pode sofrer obstruções, facilitando o surgimento de irritações e conjuntivites alérgicas”, afirma o oftalmologista Leonardo Pinheiro Nicioli, do Hospital CEMA.
Os especialistas reforçam que coçar os olhos pode agravar o problema, por causar microlesões e aumentar a chance de infecções. Também recomendam atenção redobrada com o uso de colírios sem orientação médica, sobretudo os que contêm corticoides.
Nariz congestionado pode abrir caminho para otite
Nos dias mais secos, a mucosa nasal tende a ficar menos eficiente para eliminar partículas e microrganismos. Com isso, a secreção pode ficar mais espessa e aumentar a chance de infecções respiratórias. Em algumas situações, a congestão e o acúmulo de secreção no nariz podem atingir a tuba auditiva e favorecer inflamações no ouvido, especialmente em crianças.
Como medida de cuidado diário, médicos destacam a lavagem nasal com soro fisiológico para ajudar a limpar e hidratar as vias aéreas, reduzindo irritação e acúmulo de secreção.
Medidas simples ajudam a atravessar a estação
Para reduzir desconfortos e evitar piora dos sintomas, as principais orientações incluem:
- Beber água ao longo do dia e manter a hidratação do corpo.
- Ventilar os ambientes, mesmo em dias frios, para diminuir poeira acumulada.
- Lavar casacos e cobertores guardados antes do uso, para reduzir contato com ácaros.
- Usar umidificadores com cautela, evitando excesso de umidade que favoreça mofo.
- Evitar colírios e outros medicamentos por conta própria, sobretudo em casos de dor, vermelhidão persistente ou piora rápida.
Os médicos recomendam procurar avaliação especializada quando a coriza muda de aspecto, há febre, dor no ouvido, dor ocular ou vermelhidão que não melhora, sinais que podem indicar infecção ou necessidade de tratamento específico.