MEC pune 53 cursos de Medicina após nota baixa e acende alerta sobre formação
Medidas incluem suspensão de novos alunos e corte de vagas em faculdades e universidades; para a Associação Paulista de Medicina, avanço de cursos sem estrutura ameaça a qualidade do atendimento à população.
Por Redação Brazil Health , 18/03/2026
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O Ministério da Educação (MEC) aplicou sanções a 53 cursos de Medicina após desempenho insatisfatório no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). As medidas vão de suspensão de novos ingressos a redução de vagas e restrições a programas federais, em um movimento que recoloca no centro do debate a qualidade da formação médica no país.
O resultado é relevante porque impacta diretamente quem depende do Sistema Único de Saúde (SUS) e da rede privada: a formação insuficiente pode se refletir em falhas de diagnóstico, condutas inadequadas e aumento de riscos ao paciente. O MEC não detalhou, no material divulgado, quais critérios específicos levaram cada instituição a receber determinado tipo de punição, mas informou que as sanções seguiram o desempenho dos estudantes no Enamed.
Para o presidente da Associação Paulista de Medicina (APM), Antonio José Gonçalves, o caso expõe os efeitos da expansão acelerada de graduações sem a estrutura necessária. “Não há mais espaço para cursos de Medicina sem qualidade, em um setor que se expandiu de forma acelerada e, em muitos casos, sem o rigor exigido para formar profissionais responsáveis pela vida humana. Não podemos aceitar cursos que só visam lucros”, afirmou.
O que muda para as instituições
Entre as punições, o MEC determinou suspensão de novos alunos, além de cortes de 50% ou 25% das vagas em diferentes cursos. As restrições podem limitar o crescimento dessas graduações e pressionar as instituições a adequar corpo docente, cenários de prática e infraestrutura antes de ampliar turmas.
Também há universidades federais colocadas sob supervisão, o que indica necessidade de correções e acompanhamento mais próximo por parte do ministério.
Cursos com suspensão de novos ingressos
Segundo a relação divulgada, terão o ingresso de novos alunos suspenso: Universidade Estácio de Sá (campus Angra dos Reis), União das Faculdades dos Grandes Lagos, Centro Universitário de Adamantina, Faculdade de Dracena, Centro Universitário Alfredo Nasser, Faculdade Metropolitana e Centro Universitário Uninorte.
Cursos com corte de vagas e federais sob supervisão
Com redução de 50% das vagas, aparecem instituições como Centro Universitário Presidente Antônio Carlos, Universidade Brasil, Universidade de Mogi das Cruzes, Centro Universitário das Américas, Faculdade São Leopoldo Mandic (Araras) e outras. Com corte de 25% das vagas, constam universidades e faculdades como Universidade Santo Amaro, Universidade Anhembi Morumbi, Universidade de Marília, Universidade de Cuiabá, entre outras listadas pelo MEC.
Na categoria de universidades federais sob supervisão, foram citadas Universidade Federal do Pará, Universidade Federal do Maranhão, Universidade Federal da Integração Latino-Americana e Universidade Federal do Sul da Bahia.