Livro acompanha os caminhos emocionais de quem enfrenta a infertilidade
Em “Assistida”, Sabrina Alvernaz transforma a experiência da fertilização in vitro em um relato sobre exames, hormônios, espera e a pressão social em torno da maternidade
Por Redação Brazil Health , 10/05/2026
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Às vésperas do Dia das Mães, quando a maternidade costuma ocupar o centro das celebrações e discursos sobre realização feminina, o livro “Assistida”, da escritora e professora Sabrina Alvernaz, lança luz sobre uma experiência frequentemente atravessada pelo silêncio: a infertilidade. Em formato de diário, a obra acompanha o percurso da autora durante tentativas de engravidar e tratamentos de fertilização in vitro (FIV), sem recorrer a promessas de superação idealizada ou “final feliz”.
Publicado de forma independente, o livro reúne relatos de consultas, exames, intervenções médicas e mudanças na rotina impostas pelo tratamento. Ao longo da narrativa, Sabrina descreve o impacto físico e emocional de procedimentos como estimulação hormonal, punções foliculares e cirurgia por videolaparoscopia, além da sensação de viver em função de calendários, resultados laboratoriais e expectativas constantemente adiadas.
Mais do que narrar uma trajetória clínica, “Assistida” explora o isolamento emocional que pode acompanhar a infertilidade. A autora relata a dificuldade de compartilhar a experiência até mesmo com pessoas próximas e descreve a escrita como uma forma de elaborar uma dor que, muitas vezes, permanece invisível socialmente.
“Por cinco anos, fui tentante. Ao me descobrir infértil, fui silenciada por uma dor profunda. Decidi escrever por ser um processo terapêutico para mim, já que eu não conseguia falar sobre o assunto com familiares e amigos”, afirma Sabrina em material de divulgação da obra.
Entre consultas, hormônios e incertezas
Ao longo do livro, Sabrina detalha a sucessão de etapas que envolvem os tratamentos de reprodução assistida, marcados por exames repetitivos, uso intenso de medicamentos hormonais e incertezas constantes. Em um dos trechos, a autora relata ter recebido a informação de que suas chances de engravidar não ultrapassavam 30%, mesmo seguindo o tratamento corretamente.
A narrativa também aborda os efeitos físicos do processo, incluindo fogachos, alterações corporais e hematomas causados por aplicações frequentes de anticoagulantes. Paralelamente, o livro evidencia o desgaste provocado por comentários recorrentes dirigidos a mulheres que enfrentam infertilidade, como “é só relaxar” ou “quando parar de pensar nisso acontece”, frases que, segundo a autora, acabam reforçando culpa e sensação de inadequação.
Diagnósticos ignorados e crítica ao cuidado ginecológico
Durante a investigação da infertilidade, Sabrina recebeu diagnósticos de endometriose e trombofilia, condições que, segundo relata, passaram anos sem identificação adequada. No livro, a autora questiona a demora na investigação de sintomas relacionados à saúde ginecológica e critica a naturalização da dor feminina nos atendimentos médicos.
Ela afirma que a suspeita de trombofilia surgiu apenas após a irmã enfrentar abortos espontâneos. “Da dor da minha irmã, surgiu uma investigação em mim”, escreve.
Sem se propor a ser um manual sobre fertilização in vitro, “Assistida” constrói um retrato íntimo sobre expectativa, frustração e desgaste emocional em torno da maternidade. O livro também amplia a discussão sobre saúde da mulher, infertilidade e o peso social atribuído à capacidade de engravidar.
O prefácio é assinado pela poeta e professora Juliana C. Alvernaz, enquanto a apresentação da quarta capa é da médica especialista em Reprodução Humana Débora Faria.
Serviço
Livro: “Assistida”Autora: Sabrina AlvernazEditora: Ed. da Autora (2025)Páginas: 168ISBN: 978-65-01-62020-6Versão impressa: R$ 59,90E-book: R$ 39,90
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