Medicina Intensiva

Instituto em SP cria modelo integrado para reduzir peregrinação de famílias no autismo

Estratégia integra profissionais em um plano único de cuidado, reforça apoio a cuidadores e prevê uso de tecnologia para acompanhar a evolução das crianças atendidas.

Por Redação Brazil Health , 02/06/2026

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Instituto em SP cria modelo integrado para reduzir peregrinação de famílias no autismo

Um novo modelo de atendimento ao transtorno do espectro autista (TEA) está sendo implantado em São Paulo com a proposta de reduzir a fragmentação do cuidado e facilitar a vida de famílias que hoje precisam articular, por conta própria, diferentes terapias e especialistas.

A iniciativa é do Centro de Neurodesenvolvimento e Reabilitação (CNR) e do Centro de Ensino, Pesquisa e Inovação (CEPI), áreas do Instituto Jô Clemente (IJC). A mudança substitui a lógica tradicional do atendimento multidisciplinar, em que cada especialidade atua de forma relativamente separada, por uma abordagem transdisciplinar, com integração das condutas em um único Plano de Desenvolvimento Individualizado (PDI).

Na prática, a proposta reúne profissionais de psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicomotricidade, musicoterapia e psicopedagogia, com metas terapêuticas definidas em conjunto e comunicação unificada com os responsáveis.

“Hoje, muitas famílias enfrentam uma verdadeira peregrinação terapêutica, precisando coordenar múltiplos profissionais e abordagens que nem sempre dialogam entre si. Nosso objetivo é reorganizar o atendimento para que toda a equipe de profissionais atue de forma integrada, centrada na pessoa atendida e na família”, afirma Anita Brito, coordenadora do CNR e pesquisadora do CEPI.

Integração do cuidado e acompanhamento com dados

Entre as mudanças já adotadas, o instituto informa ter criado canais permanentes de escuta com familiares e cuidadores, além de reuniões presenciais para mapear necessidades e ajustar a jornada terapêutica.

Outra medida foi a implantação de uma plataforma digital para organizar metas, padronizar registros e acompanhar a evolução clínica das pessoas atendidas. Segundo o IJC, a ferramenta também busca facilitar a comunicação com as famílias e gerar indicadores para avaliar resultados das intervenções.

Comunicação e adaptações no ambiente terapêutico

O projeto inclui ainda a reformulação dos materiais de Comunicação Alternativa e Aumentativa (CAA), agora em formato de cartilha educativa, com a intenção de orientar o uso compartilhado entre clínica, família e escola.

No ambiente físico, a instituição relata que está reestruturando espaços como áreas sensoriais externas, salas de psicomotricidade e ambientes voltados a habilidades sociais, além de locais de trabalho para terapeutas.

Suporte às famílias e metas até 2027

Nos próximos meses, o IJC pretende lançar um “Modelo Nacional de Suporte Familiar”, inspirado em experiências internacionais e adaptado a diferentes realidades regionais do Brasil.

“O desenvolvimento da pessoa Autista depende diretamente do fortalecimento da saúde mental e emocional de quem cuida. Precisamos construir um ecossistema que acolha toda a família”, diz Anita Brito.

A expectativa do projeto é consolidar, até 2027, indicadores clínicos e métricas de custo-efetividade que possam apoiar pesquisas, inovação assistencial e discussões sobre políticas públicas voltadas ao neurodesenvolvimento no país.