Medicina Intensiva

IA chega a 18% dos serviços de saúde no Brasil e fica concentrada em rotinas internas

Pesquisa TIC Saúde 2025 aponta avanço da tecnologia, sobretudo em hospitais maiores, mas destaca entraves como custo, falta de prioridade e desafios com dados, além de limitações na troca de informações entre sistemas.

Por Redação Brazil Health , 21/05/2026

4 min de leitura

IA chega a 18% dos serviços de saúde no Brasil e fica concentrada em rotinas internas

A Inteligência Artificial (IA) já é usada por 18% dos estabelecimentos de saúde no Brasil, mas ainda aparece principalmente em tarefas operacionais, como organizar fluxos clínicos e rotinas administrativas. Em unidades com mais de 50 leitos, a adoção sobe para 31%. Nos Serviços de Apoio Diagnóstico e Terapêutico (SADT), chega a 29%.

Os dados são da 12ª edição da pesquisa TIC Saúde, divulgada nesta terça-feira (12) pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), por meio do Cetic.br/NIC.br, com entrevistas feitas entre fevereiro e novembro de 2025 com 3.270 gestores em todo o país.

Como a IA vem sendo usada

Entre os estabelecimentos que já utilizam IA, os modelos de IA generativa são os mais comuns (76%), seguidos por mineração de texto (52%) e automação de processos (48%). As aplicações mais citadas envolvem organização de processos clínicos e administrativos. Também aparecem usos ligados à segurança digital (36%) e a iniciativas para aumentar a eficiência de tratamentos (32%).

Segundo o Cetic.br, a edição de 2025 trouxe uma mudança metodológica: a investigação sobre Big Data e IA passou a incluir todos os estabelecimentos com computador, e não apenas aqueles com área de TI. “Nos últimos anos, observamos uma rápida disseminação das tecnologias de Inteligência Artificial. Por isso, tornou-se importante ampliar a investigação para compreender como essas tecnologias vêm sendo incorporadas pelo conjunto dos estabelecimentos de saúde”, afirmou Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br.

Custos, capacitação e privacidade estão entre as barreiras

Apesar do avanço, gestores apontam obstáculos relevantes. Em hospitais com mais de 50 leitos, os desafios mais mencionados foram custos elevados (63%), falta de priorização institucional (56%) e limitações ligadas a dados e capacitação (51%). Nos SADT, aparecem falta de interesse (60%), ausência de prioridade (64%) e preocupações com privacidade (50%).

Para Luciana Portilho, coordenadora de projetos de pesquisas do Cetic.br, o uso crescente de IA amplia a necessidade de preparo e regras claras. “O avanço do uso da Inteligência Artificial na saúde exige profissionais qualificados para que essa tecnologia seja aplicada de forma segura e responsável. Além disso, a consolidação de diretrizes e marcos regulatórios é fundamental para sustentar a adoção ética da IA em um setor que lida com informações sensíveis e impacta diretamente no cuidado com os pacientes”, disse.

O estudo também indica que o uso de Big Data ainda é restrito: apenas 9% dos estabelecimentos realizaram análises com apoio dessa tecnologia em 2025. A prática é mais frequente em instituições privadas (11%) e em hospitais com mais de 50 leitos (30%), com foco principalmente em dados internos, como prontuários e registros administrativos.

Troca de dados ainda é limitada, apesar da digitalização

A pesquisa mostra que 92% dos estabelecimentos já usam sistemas eletrônicos para registrar informações de pacientes, mas a interoperabilidade segue como gargalo. Menos da metade (44%) tem sistemas que permitem enviar ou receber encaminhamentos eletrônicos – com maior presença no setor público (64%) do que no privado (28%).

O levantamento também aponta que 44% dos estabelecimentos estão conectados à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), do Ministério da Saúde. A proporção é maior nas Unidades Básicas de Saúde (72%) e no setor público (64%). “A interoperabilidade entre os sistemas de saúde pode contribuir para ampliar a eficiência dos serviços e melhorar a experiência do paciente, ao facilitar o compartilhamento seguro de informações clínicas entre diferentes estabelecimentos”, afirmou Portilho.

Além disso, a TIC Saúde indica crescimento de serviços digitais para pacientes, como interação online com a equipe de saúde, que passou de 16% em 2023 para 35% em 2025. Em telessaúde, a teleconsultoria lidera (36%), seguida por teleconsulta (28%), telediagnóstico (27%) e telemonitoramento (20%).

Na segurança da informação, 42% dos estabelecimentos dizem ter política formal, com maior presença no setor privado (54%) do que no público (28%). Quase metade (47%) realizou treinamentos, mas medidas mais estruturadas associadas à LGPD – como nomeação de encarregado de dados e planos de resposta a incidentes – ainda aparecem em cerca de 30% das instituições.