Medicina Intensiva

HQ conta a relação entre irmãos e o dia a dia de uma criança com autismo

Em João pé-de-feijão, a quadrinista Ing Lee narra memórias da infância com o irmão caçula no espectro e propõe um olhar mais realista sobre desenvolvimento, comunicação e convivência familiar.

Por Redação Brazil Health , 08/04/2026

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HQ conta a relação entre irmãos e o dia a dia de uma criança com autismo

A quadrinista e ilustradora coreano-brasileira Ing Lee lança a história em quadrinhos João pé-de-feijão, que acompanha o crescimento do irmão caçula, João, uma criança no espectro autista. A obra reúne cenas do cotidiano e busca ampliar o entendimento do público leigo sobre o autismo para além de estereótipos e expectativas.

Ao longo do livro, a autora revisita episódios que vão da apreensão inicial com o desenvolvimento da fala a situações de humor doméstico. A narrativa também mostra como a família foi aprendendo, com o tempo, a reconhecer as formas particulares de comunicação do menino, seus interesses e o ritmo próprio de cada etapa.

Em um trecho da HQ, a autora sintetiza a mudança de perspectiva vivida pela família: “Quase sempre, a possibilidade de uma deficiência é um temor – jamais uma expectativa positiva. E, ao longo dos anos, nós fomos entendendo que o autismo não define o João enquanto pessoa”.

O vínculo pelo desenho e a comunicação no cotidiano

Um dos pontos centrais do livro é o modo como o desenho se torna uma ponte entre os irmãos. Ing Lee relata que costuma deixar papéis e materiais disponíveis quando João a visita para que ele desenhe livremente. À distância, ela recebe, por mensagens enviadas pela mãe, imagens das ilustrações produzidas pelo irmão.

Ao apresentar essas interações, a HQ chama atenção para um aspecto frequente na vivência de famílias de pessoas autistas: a comunicação pode acontecer por caminhos diferentes do esperado, e interesses específicos podem se transformar em formas de conexão e expressão.

Metáfora do crescimento e olhar fraterno

O título remete à fábula de João e o pé de feijão, mas, na HQ, a planta funciona como metáfora do desenvolvimento ao longo do tempo, sem a ideia de “chegar” a um modelo ideal. A autora usa essa imagem para sugerir que o crescimento pode ter contornos próprios e ainda assim ser acompanhado com atenção e afeto.

Outro destaque é o ponto de vista escolhido: em vez de focar a experiência dos pais, o livro aborda o autismo a partir da relação entre irmãos, marcada por convivência diária, descobertas e aprendizado mútuo. Ing Lee, que é surda oralizada, também incorpora à narrativa um olhar pessoal sobre diversidade e inclusão.

João pé-de-feijão tem 112 páginas e é indicado a partir de 9 anos. A publicação é da VR Editora, com edição prevista para 2026, em versões impressa e digital.