Medicina Intensiva

Fundação Dorina Nowill lança campanha de 80 anos sobre a invisibilidade da pessoa cega

Filme da instituição usa cenas do cotidiano para discutir como o preconceito e os estereótipos ainda apagam pessoas com deficiência visual na vida social, no trabalho e no acesso à cultura.

Por Redação Brazil Health , 08/06/2026

3 min de leitura

Fundação Dorina Nowill lança campanha de 80 anos sobre a invisibilidade da pessoa cega

A Fundação Dorina Nowill para Cegos lançou uma campanha institucional pelos seus 80 anos com foco em um tema ainda frequente no dia a dia de quem tem deficiência visual: a “invisibilidade” social. A proposta é deslocar o debate da limitação física para a forma como a sociedade enxerga – ou deixa de enxergar – pessoas cegas e com baixa visão como sujeitos com escolhas, desejos e autonomia.

Fundada em 1946 pela educadora Dorina de Gouvêa Nowill, a organização atua na promoção da inclusão por meio de iniciativas ligadas ao acesso à leitura e à participação social. Ao longo de 2026, a programação comemorativa inclui exposições, a reinauguração do Centro de Memória, a criação de uma Biblioteca Inclusiva e a divulgação de um filme que integra a campanha.

“Queremos ampliar o olhar da sociedade sobre a deficiência visual e reforçar que a inclusão passa pelo reconhecimento das diferenças e pela garantia da autonomia plena”, afirma Alexandre Munck, superintendente executivo da Fundação Dorina Nowill. Segundo ele, a mensagem central é que “pessoas cegas ou com baixa visão estudam, trabalham, amam, consomem cultura e devem ocupar todos os espaços”.

Como o filme aborda o tema

A peça audiovisual apresenta personagens em situações cotidianas e também em contextos de aspiração e lazer, como um surfista, uma mulher grávida, um escritor, um casal em uma festa e um músico. A intenção é evidenciar que a deficiência visual não define a experiência de vida dessas pessoas, e que a exclusão muitas vezes ocorre por barreiras sociais e comportamentais.

Na narrativa, a invisibilidade não é tratada como falta de visão, mas como apagamento social – quando a pessoa é reduzida a estereótipos, subestimada ou tratada com condescendência. A campanha sustenta que o reconhecimento passa por enxergar a pessoa antes da deficiência.

Estética em preto e branco para reforçar a mensagem

Para construir a linguagem do filme, a direção optou por imagens em preto e branco, combinando captação digital e película 16 mm. O diretor Jones diz que a escolha estética ajuda a enfatizar a presença dos personagens e a dimensão humana do tema. “O filme é sobre o toque, a luz e a presença real desses personagens que, muitas vezes, não são vistos pela sociedade”, afirma. “Não só pessoas com deficiência visual, mas qualquer pessoa diferente, que a sociedade muitas vezes tem dificuldade de enxergar.”

A campanha faz parte das ações de aniversário da Fundação e busca ampliar o debate público sobre inclusão para além de adaptações formais, chamando atenção para o direito à autonomia e à participação plena em todos os espaços.