Medicina Intensiva

Frio não causa gripe, mas aumenta risco: entenda por que o inverno piora o respiratório

Casos de SRAG por influenza quase dobraram no início de 2026, e especialistas explicam como clima e hábitos da estação favorecem infecções e agravam doenças como asma e DPOC.

Por Redação Brazil Health , 16/06/2026

3 min de leitura

Frio não causa gripe, mas aumenta risco: entenda por que o inverno piora o respiratório

A queda das temperaturas costuma vir acompanhada de mais tosse, espirros e congestionamento, mas o frio, por si só, não provoca gripe. O que o inverno faz é criar condições que facilitam a circulação de vírus e aumentam a chance de adoecimento, especialmente entre pessoas com problemas respiratórios e outros grupos vulneráveis.

Em 2026, o tema ganhou peso com a alta de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causada por influenza no país. Dados do Instituto Todos pela Saúde indicam que os registros quase dobraram no primeiro trimestre, de 1.838 em 2025 para 3.584 no mesmo período deste ano.

Segundo a médica radiologista Claudia Friedrich, da Fundação Instituto de Diagnóstico por Imagem (FIDI), a estação favorece a transmissão principalmente pela combinação entre efeitos do clima no organismo e mudanças de comportamento. “A gripe é causada por vírus, e não pela baixa temperatura. O inverno, porém, cria condições favoráveis para a transmissão desses agentes”, afirma.

O que o inverno muda no corpo e na rotina

Pesquisas citadas no release apontam que o resfriamento da região nasal pode reduzir defesas locais, enquanto o ar frio e seco prejudica o funcionamento dos cílios das vias aéreas, que ajudam a eliminar secreções e microrganismos. Além disso, no frio as pessoas tendem a ficar mais tempo em ambientes fechados e pouco ventilados, o que aumenta o risco de contágio.

Quem precisa redobrar a atenção

Embora idosos sejam frequentemente lembrados, eles não são os únicos em maior risco de complicações. Crianças pequenas, gestantes, pessoas imunossuprimidas e quem tem doenças crônicas também precisam de cautela.

Para quem já convive com asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), bronquite ou fibrose pulmonar, o inverno costuma ser um período mais difícil. O ar frio pode irritar as vias aéreas e piorar sintomas como falta de ar, chiado e tosse, e infecções virais podem desencadear crises.

Quando investigar e como se proteger

Outra medida simples, mas relevante, é manter a ventilação dos ambientes. Abrir janelas, mesmo em dias frios, ajuda a reduzir a concentração de vírus no ar, principalmente em locais com muita gente, como escolas, escritórios, transporte coletivo e casas com vários moradores.

Exames de imagem, como radiografia e tomografia, não são indicados para qualquer resfriado, mas podem ser necessários quando há sintomas persistentes, suspeita de complicações ou maior risco individual. A recomendação é não ignorar sinais que se prolongam. “Tosse persistente, cansaço, chiado no peito e falta de ar, quando permanecem por mais de três semanas, merecem avaliação médica”, diz Friedrich.

Para reduzir o risco de adoecimento e complicações no inverno, as orientações incluem:

  • manter a vacinação em dia;
  • evitar permanecer por longos períodos em ambientes fechados e sem ventilação;
  • higienizar as mãos com frequência;
  • hidratar-se adequadamente;
  • controlar doenças respiratórias já diagnosticadas;
  • procurar atendimento médico diante de sintomas persistentes.

Com o aumento das infecções respiratórias e o envelhecimento da população, reconhecer precocemente sinais de alerta pode evitar complicações e facilitar o tratamento.