Medicina Intensiva

Equipe multidisciplinar melhora diagnóstico precoce e adesão em esclerose múltipla e cânce

Estudos associam acompanhamento integrado a melhores resultados clínicos e maior sobrevida; enfermeiros, psicólogos e outros profissionais ajudam a captar sintomas e barreiras que nem sempre aparecem na consulta médica.

Por Redação Brazil Health, 27/07/2026

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Equipe multidisciplinar melhora diagnóstico precoce e adesão em esclerose múltipla e cânce

A integração entre diferentes profissionais de saúde tem ganhado espaço como estratégia para melhorar a detecção precoce, o controle da doença e a adesão ao tratamento em condições crônicas e complexas, como a esclerose múltipla e o câncer. A lógica é simples: quando a equipe amplia a escuta e acompanha o paciente de perto, aumentam as chances de identificar sinais sutis e ajustar a terapia à vida real de cada pessoa.

Esse modelo também responde a um desafio comum na rotina dos consultórios: o tempo limitado das consultas, muitas vezes entre 15 e 30 minutos. Nessa janela, informações importantes podem ficar de fora, especialmente quando envolvem sintomas subjetivos, aspectos emocionais ou dificuldades práticas para seguir o tratamento.

O que muda quando mais profissionais acompanham o paciente

Na esclerose múltipla, uma revisão de estudos publicada na revista Multiple Sclerosis and Related Disorders apontou que o cuidado feito por equipes com diferentes especialidades está associado a melhores resultados clínicos e melhora da qualidade de vida. Em geral, os trabalhos analisados indicam que a atuação conjunta de neurologistas, enfermeiros, fisioterapeutas e psicólogos torna o acompanhamento mais completo.

Na prática, parte desse ganho vem da capacidade de captar queixas que nem sempre aparecem na consulta com o especialista. “Como os sintomas da esclerose múltipla são muitas vezes subjetivos, um dos desafios é dar credibilidade a essas queixas. O paciente costuma se abrir mais com a enfermagem e traz informações que, muitas vezes, não chegam ao médico”, afirma a enfermeira navegadora Thais Theodoro, do Dib Neurologia.

Segundo ela, sinais como esquecimentos, cansaço intenso ou faltas recorrentes podem indicar necessidade de reavaliar o quadro e discutir a situação com o restante da equipe. “Observamos sinais que podem indicar possível progressão da doença e precisam ser avaliados em conjunto”, diz.

Adesão ao tratamento também depende da rotina e das limitações

Além de monitorar sintomas, a equipe multiprofissional pode ajudar a remover obstáculos que levam ao abandono ou à interrupção da terapia. “Já tivemos pacientes que não aderiram à infusão por dificuldade em permanecer muito tempo ou por ir muitas vezes à clínica. Ao entender isso, ajustamos a terapia e a adesão melhorou. O mais importante é compreender o que funciona para cada paciente”, relata Thais.

Ela afirma que o acolhimento após o diagnóstico costuma ser decisivo para reduzir inseguranças e organizar o cuidado. “Quando temos um paciente recém-diagnosticado, eu ligo, converso, esclareço dúvidas e oriento que evite buscar informações em redes sociais sem orientação médica. Peço que ele anote suas dúvidas e traga tudo para a consulta”, afirma.

Em oncologia, estudo aponta maior sobrevida com modelo integrado

Na oncologia, evidências também sugerem vantagem do acompanhamento coordenado. Um estudo publicado na revista Frontiers in Oncology, com pacientes com câncer de pulmão, observou maior sobrevida no modelo multidisciplinar: em média, 45,2 meses, contra 28,6 meses no cuidado tradicional. O trabalho também descreve um fluxo assistencial mais organizado entre as especialidades.

Para Talita de Souza Matos, enfermeira da Asfecer e conselheira administrativa da Femama, a educação em saúde é parte central para que o paciente mantenha o tratamento. “O profissional de saúde precisa alfabetizar o paciente, mas para cada caso, é necessário adotar um tipo de letramento diferente. O nosso papel é traduzir as informações de forma personalizada, identificando se os medos ou resistências vêm de uma barreira de informação ou de uma fragilidade emocional”, afirma.

Ela reforça que o tratamento oncológico costuma ser longo e passar por várias etapas, o que exige comunicação contínua. “Para que flua da melhor maneira, precisa haver uma comunicação efetiva e contínua entre o paciente e toda a equipe. Essa comunicação integrada é importantíssima para o desfecho clínico”, conclui.