Consumo de Álcool na Gestação Afeta o Neurodesenvolvimento Fetal, Aponta Estudo da PUCPR
Estudo aponta que o consumo de álcool na gestação pode prejudicar o desenvolvimento cerebral do bebê e reforça a falta de dados sobre riscos e incidência no Brasil.
Por Redação Brazil Health , 12/06/2025
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Estudo confirma os riscos do consumo de álcool na gestação para o neurodesenvolvimento fetal
Pesquisadores da PUCPR analisam os efeitos moleculares do consumo de álcool (EtOH) no desenvolvimento do córtex cerebral
Levantamento realizado pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) revelou um aumento significativo no consumo abusivo de álcool entre as mulheres no Brasil, entre os anos de 2010 e 2023. Os dados apontam que o percentual de mulheres que fazem uso excessivo de bebidas alcoólicas cresceu de 10,5% para 15,2% neste período, enquanto, entre os homens, a taxa permaneceu estável, de 27% para 27,3%. Na população geral, o aumento foi de 18,1% para 20,8%. No caso de mulheres grávidas, os riscos associados ao álcool são ainda maiores, pois ainda não há dados que indiquem se há uma quantidade segura do consumo de álcool durante uma gestação.
O pesquisador Dr. Roberto Hirochi Herai, Coordenador do Laboratório de Bioinformática e Neurogenética (LaBiN) do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCS) da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), é um dos autores do estudo que investigou os efeitos da exposição ao álcool durante a gestação, e potenciais impactos no desenvolvimento do córtex cerebral humano. A pesquisa utilizou modelos celulares baseados em organóides corticais humanos e foi aprovada por um comitê da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD, EUA).
“Estudos anteriores já demonstraram que o consumo de álcool durante a gravidez pode levar a distúrbios conhecidos como Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF), que incluem deficiências físicas, mentais e comportamentais, que inclusive se confunde com o autismo, especialmente em crianças pequenas”, explica Dr. Herai. Nos Estados Unidos, estima-se que 1 a cada 20 nascimentos seja afetado pelo TEAF, mas não há dados concretos sobre a incidência no Brasil.
Os resultados confirmaram que o consumo de etanol (EtOH), componente ativo das bebidas alcoólicas, pode comprometer o neurodesenvolvimento fetal, conforme demonstrado por meio de modelos celulares. O estudo revelou que o EtOH altera a organização da cromatina — estrutura responsável por compactar o DNA — e interfere em vias de sinalização intracelular essenciais, prejudicando o desenvolvimento das sinapses necessárias para a formação de redes neurais funcionais durante o desenvolvimento cerebral. Além disso, registros eletrofisiológicos evidenciaram que a exposição ao álcool afeta negativamente tanto a formação quanto a atividade das redes neurais.
Dr. Bruno Guerra, também um dos autores do estudo, afirma que “muito pouco é conhecido a respeito dos efeitos moleculares do consumo de álcool (EtOH) durante a gestação no desenvolvimento do córtex cerebral fetal humano”. Ele reforça que “compreender a base das alterações moleculares, incluindo quais problemas são causados nas células cerebrais, ajudará no desenvolvimento de futuras terapias de tratamento para as TEAF, e também a esclarecer as alterações relacionadas aos processos neurobiológicos. Isso permitirá a geração de mais dados que possam auxiliar na criação de políticas de saúde pública relacionadas ao consumo de álcool por grávidas”, destaca.