Brasil é 2º em burnout; saúde mental no trabalho entra no centro da gestão
Nova classificação da OMS reconhece a síndrome como fenômeno ocupacional e pressiona empresas a rever práticas de gestão.
Por Redação Brazil Health , 25/02/2026
3 min de leitura
O Brasil ocupa a segunda posição mundial em casos de burnout e vê crescer a pressão por medidas estruturadas de promoção de saúde mental nas empresas. Estimativas da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt) indicam que cerca de 30% das pessoas ocupadas no país têm sinais de esgotamento – um alerta para gestores e equipes de RH.
O tema ganha peso com a adoção da CID-11, a nova classificação da Organização Mundial da Saúde, que reconhece o burnout como fenômeno ocupacional associado ao ambiente e à organização do trabalho. Na prática, especialistas apontam que a prevenção precisa sair do discurso e se traduzir em processos, métricas e responsabilidades claras.
Reconhecimento oficial e impacto nas empresas
Para a consultora de RH e psicóloga corporativa Marcela Viana, o monitoramento precoce é decisivo para evitar o adoecimento. “A psicologia corporativa identifica sinais precoces de burnout ao analisar o equilíbrio entre as exigências do trabalho, o nível de autonomia e o suporte oferecido pela liderança e pela organização”, afirma a CEO da Humanic.
Ela destaca que o conceito de riscos psicossociais deve orientar diagnósticos e planos de ação, contemplando sobrecarga, pressão contínua, conflitos, falhas de comunicação, insegurança e falta de clareza de papéis.
Sinais de alerta e riscos no dia a dia
Segundo Viana, mudanças persistentes de comportamento são mais relevantes do que episódios isolados. “O principal sinal é a mudança sustentada de comportamento, e não episódios pontuais”, diz.
Entre os indicativos mais comuns estão:
- cansaço constante
- dificuldade de concentração
- irritabilidade e isolamento
- aumento de conflitos
- perda de engajamento
- queda na qualidade das entregas
Ela chama atenção ainda para o presenteísmo – quando a pessoa segue trabalhando, mas emocionalmente exausta, com baixa capacidade de recuperação.
Prevenção, resultados e desafios
A atuação preventiva, diz a especialista, vai além do atendimento individual e envolve diagnóstico organizacional, mapeamento de riscos psicossociais e intervenções contínuas. Isso inclui ajustar carga e ritmo de trabalho, revisar prioridades, definir expectativas e orientar lideranças sobre práticas de gestão mais saudáveis.
Viana afirma que saúde mental e desempenho podem caminhar juntos. “Alta performance sustentável acontece quando existe clareza, ritmo adequado e suporte. Saúde mental não é o oposto de resultado; ela é condição para resultados consistentes no médio e longo prazo”, afirma.
De acordo com a psicóloga, programas estruturados tendem a reduzir afastamentos e absenteísmo, melhorar o clima e reter talentos. Ela acrescenta que muitas empresas ainda se adaptam à gestão de riscos psicossociais prevista na NR-1 – um processo que exige método, mudança cultural e compromisso da alta liderança.
Entre os entraves mais frequentes estão o estigma, o medo de falar sobre o tema, a falta de preparo das chefias e a tendência de responsabilizar apenas o indivíduo, sem revisar condições e processos de trabalho.
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