Medicina Intensiva

Anvisa libera CBD para manipulação e pode reduzir custo do tratamento em até 50%

Norma em vigor desde maio permite que farmácias de manipulação usem canabidiol isolado como insumo farmacêutico, com exigência de pureza mínima. Especialistas apontam impacto no preço, na personalização de fórmulas e no acesso de pacientes.

Por Redação Brazil Health, 27/07/2026

4 min de leitura

Anvisa libera CBD para manipulação e pode reduzir custo do tratamento em até 50%

Uma nova regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abre espaço para que farmácias de manipulação passem a preparar formulações com canabidiol (CBD) isolado no Brasil. A RDC nº 1.015/2026, publicada em fevereiro e em vigor desde maio, estabelece as regras para o uso do CBD como Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) no mercado magistral, desde que o produto tenha pureza mínima de 98%.

A mudança importa porque pode ampliar o acesso a tratamentos à base de cannabis medicinal e reduzir o custo para pacientes que hoje dependem de produtos industrializados disponíveis em drogarias ou de importação. Segundo estimativas apresentadas por representantes do setor, dependendo da formulação, o preço final pode cair em até 50% em comparação aos produtos prontos comercializados no país.

Para o cientista Fabrício Pamplona, que atua na área de canabinoides e é sócio-diretor da distribuidora Brascann Farmacêutica, a nova regra tende a diminuir a dependência de produtos acabados. “Isso cria uma oportunidade concreta para reduzir o preço final dos tratamentos e ampliar o acesso à cannabis medicinal no Brasil”, afirma.

O que muda com o CBD como insumo

A exigência de pureza mínima de 98% é um dos principais pontos da RDC. Na prática, a medida busca garantir maior controle de qualidade, maior precisão na dosagem e mais consistência entre lotes nas formulações manipuladas, além de aumentar a previsibilidade do que está sendo dispensado ao paciente.

Pamplona diz que, nesse grau de pureza, o CBD pode facilitar o desenvolvimento de diferentes tipos de formulações. “Em grau de pureza elevado, o CBD se apresenta como um pó branco cristalino, sem cheiro e sem sabor, características que ampliam as possibilidades de desenvolvimento de formulações magistrais personalizadas”, declara.

Personalização do tratamento

Com o CBD isolado disponível para manipulação, médicos e pacientes podem ter mais margem para ajustar dose, forma farmacêutica e veículos, de acordo com a resposta individual. A personalização é apontada como um dos principais diferenciais do mercado magistral em relação aos produtos industrializados, que têm concentrações e apresentações padronizadas.

“A farmácia de manipulação transforma prescrições médicas em soluções sob medida. Produtos industrializados podem funcionar muito bem em determinadas situações, mas nem sempre conseguem oferecer o nível de personalização necessário para todos os casos”, afirma Pamplona.

Indicações e tamanho do mercado

Entre as condições frequentemente associadas ao uso do CBD estão ansiedade, estresse, insônia e outros distúrbios do sono, além de dor crônica, dor neuropática e epilepsia refratária. O setor também cita aplicações dermatológicas, como dermatite, acne e psoríase, além de diferentes apresentações possíveis, como soluções orais, cápsulas, sprays sublinguais e produtos tópicos.

O avanço regulatório ocorre em um momento de crescimento do mercado de cannabis medicinal no país. Dados da Kaya Mind, empresa de inteligência de mercado do setor, indicam que o segmento movimentou cerca de R$ 970 milhões em 2025, alta de 14% em relação ao ano anterior. A projeção é superar R$ 1 bilhão em 2026 e alcançar R$ 1,2 bilhão até 2027, com uma base estimada de 870 mil pessoas atendidas atualmente.