Nariz entupido por meses pode ser pólipo nasal e precisa de avaliação médica
Condição inflamatória pode reduzir o olfato e atrapalhar sono e respiração; especialistas alertam para riscos da automedicação com descongestionantes.
Por Redação Brazil Health , 13/05/2026
3 min de leitura
Respirar mal pelo nariz de forma constante, como se estivesse sempre resfriado, nem sempre é “normal” ou apenas alergia. O sintoma pode indicar polipose nasal – inflamação crônica que leva ao surgimento de pólipos (lesões benignas) dentro do nariz e dos seios da face, causando obstrução e queda importante na qualidade de vida.
O otorrinolaringologista Luiz Castanheira, do Hospital Paulista, diz que o problema costuma avançar de maneira discreta. “Muitos pacientes passam anos respirando mal, usando descongestionantes por conta própria, sem saber que existe uma causa específica por trás desse sintoma persistente”, afirma.
O que é e quem tem mais risco
Na polipose nasal, a mucosa que reveste o nariz e os seios paranasais permanece inflamada por muito tempo e pode formar estruturas que ocupam espaço e dificultam a passagem do ar. O quadro costuma estar associado a rinite alérgica, asma e alergias a alguns medicamentos.
Segundo o documento europeu EPOS, referência internacional sobre rinossinusite e pólipos nasais, a condição atinge cerca de 2% a 4% dos adultos e é mais comum após os 40 anos.
“A inflamação contínua faz com que a mucosa do nariz e dos seios da face se degenere, formando estruturas gelatinosas, que acabam ocupando espaço dentro do nariz e dificultando a passagem do ar”, explica Castanheira.
Sintomas vão além da obstrução
O nariz entupido é a queixa mais frequente, mas não é a única. A polipose pode se manifestar com sinais que muitas pessoas demoram a relacionar ao problema, como secreção nasal persistente, sensação de pressão no rosto, ronco e piora do sono.
A redução ou perda do olfato também é um alerta importante. “O prejuízo vai além do desconforto físico. A perda do olfato, por exemplo, pode impactar o paladar e até a segurança do paciente, como na percepção de odores de fumaça ou gás”, diz o médico.
Automedicação pode atrasar o diagnóstico
Um dos motivos para a demora no diagnóstico é o uso repetido de descongestionantes nasais. Esses produtos podem aliviar temporariamente a sensação de entupimento, mas não tratam a inflamação por trás do quadro e, em alguns casos, podem agravar a congestão com o tempo.
O Conselho Federal de Farmácia (CFF) já apontou que a automedicação é comum no Brasil, especialmente diante de sintomas respiratórios – um comportamento que pode postergar a investigação de doenças crônicas.
O diagnóstico é feito em consulta com otorrinolaringologista, geralmente com exame clínico e avaliação por nasofibroscopia, que permite ver o interior das vias nasais. Em algumas situações, a tomografia dos seios da face ajuda a dimensionar a extensão do problema.
O tratamento busca controlar a inflamação, com uso de corticosteroides em spray nasal e, quando necessário, medicação por via oral e acompanhamento regular. Em casos de obstrução importante ou falha do tratamento clínico, pode ser indicada cirurgia para remover os pólipos e reabrir a passagem de ar. “O mais importante é entender que existe tratamento e que o paciente não precisa conviver com esse desconforto de forma permanente”, conclui Castanheira.
Tags relacionadas: