Descongestionante nasal pode causar dependência em poucos dias no inverno
No inverno, nariz entupido dispara, mas o uso contínuo das “gotinhas” pode piorar o problema e trazer riscos; especialista explica causas comuns, sinais de rinite e sinusite e cuidados com lavagem nasal.
Por Redação Brazil Health, 25/07/2026
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Com a queda das temperaturas, o nariz entupido volta a liderar as queixas em consultórios e farmácias. Em busca de alívio rápido, muita gente recorre a descongestionantes nasais em gotas, sem perceber que o uso por poucos dias pode levar a um quadro de dependência e piora da congestão.
Segundo a otorrinolaringologista Roberta Pilla, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), a recomendação é que descongestionantes vasoconstritores não sejam usados por mais de três a cinco dias seguidos. “Os descongestionantes nasais vasoconstritores aliviam rapidamente o sintoma, mas não tratam a causa. O nariz volta a entupir assim que o efeito termina, fazendo com que a pessoa utilize cada vez mais, criando um ciclo de dependência”, afirma.
A médica diz que o uso prolongado pode causar lesões na mucosa do nariz, ressecamento e sangramentos. Ela também chama atenção para grupos que devem ter cuidado extra: “O uso prolongado pode causar lesões na mucosa, ressecamentos e sangramentos, e apresenta um risco maior para pacientes com hipertensão, doenças cardiovasculares e glaucoma”, alerta.
Por que o nariz entope mais no frio
O ar frio pode provocar uma reação da mucosa nasal que causa inchaço interno e obstrução, mesmo sem infecção. É o que acontece em casos de rinite vasomotora (não alérgica), em que o contato com o ar gelado desencadeia congestão.
No inverno, também aumentam os gatilhos para alergias e infecções respiratórias. Ambientes fechados e pouco ventilados ficam mais comuns, e casacos e cobertores guardados por meses podem concentrar poeira, ácaros e mofo. “O nariz entupido no inverno costuma ser resultado dessa combinação exata: frio, maior circulação de infecções respiratórias virais e alta exposição aos fatores que desencadeiam alergias”, resume a especialista.
Rinite ou sinusite: sinais ajudam a diferenciar
Identificar a causa é importante para evitar outro erro frequente da estação: usar antibiótico por conta própria. A otorrino reforça que muitos quadros são virais ou alérgicos, situações em que o antibiótico não funciona.
De forma geral, sinais comuns são:
- Rinite alérgica – espirros, coceira, coriza transparente e entupimento após contato com poeira ou mofo.
- Rinite vasomotora – piora ao sair do ambiente aquecido para o frio, ao entrar no ar-condicionado ou diante de cheiros fortes; testes de alergia tendem a ser negativos.
- Sinusite (rinossinusite) – secreção mais espessa, dor ou pressão na face, redução do olfato e, em alguns casos, febre; pode persistir por mais de cinco a sete dias.
Lavagem nasal ajuda, mas há cuidados
Para alívio dos sintomas, a orientação considerada mais segura é a lavagem nasal com soro fisiológico ou soluções apropriadas. A especialista, porém, faz um alerta para quem prepara a solução em casa com sachês: a água precisa ser mineral, filtrada e previamente fervida (e depois resfriada) ou esterilizada, para reduzir o risco de contaminação.
Ela também recomenda evitar receitas caseiras dentro do nariz, como óleos essenciais e outras substâncias, que podem irritar a mucosa.
É indicado procurar um especialista quando a obstrução nasal durar mais de duas semanas, ocorrer principalmente de um lado só, ou vier acompanhada de sangramentos frequentes e dor facial intensa. “O nariz entupido é muito comum, mas não deve ser encarado como algo ‘normal’ apenas porque é inverno”, conclui a Dra. Roberta Pilla.
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