Geriatria

Casos de gripe e outros vírus sobem no frio; crianças podem piorar em 24 horas

Boletim InfoGripe, da Fiocruz, já indica alta de síndrome respiratória grave no início de 2026. Pediatras e otorrinos explicam por que os pequenos adoecem mais e quais sinais exigem atendimento imediato.

Por Redação Brazil Health , 15/06/2026

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Casos de gripe e outros vírus sobem no frio; crianças podem piorar em 24 horas

A chegada do outono e do inverno costuma elevar a circulação de vírus respiratórios no Brasil, mas em 2026 esse movimento começou mais cedo. Em abril, o boletim InfoGripe, da Fiocruz, já apontava crescimento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em diferentes regiões do país, com preocupação especial para crianças, grupo que tende a sofrer mais com infecções típicas da estação.

De acordo com a médica Isabela Pires, professora de pós-graduação em Pediatria da Afya Brasília, a combinação de sistema imunológico ainda em amadurecimento e maior exposição em ambientes coletivos ajuda a explicar o aumento de quadros nessa faixa etária. “Por estarem em contato com outras crianças por períodos maiores que quatro horas no mesmo ambiente e com menor circulação de ar nas salas durante o frio, as crianças acabam tendo uma sensibilidade maior aos vírus”, afirma.

Por que sintomas leves podem virar urgência

A pediatra alerta que sinais comuns, como coriza e tosse, não devem ser subestimados em crianças, porque a evolução pode ser rápida. “Coriza, tosse leve e cansaço podem passar de um quadro leve para moderado em questão de 12 a 24 horas, podendo sair de um tratamento domiciliar para a necessidade de internação e monitoramento hospitalar”, diz.

Entre os sintomas que pedem avaliação médica imediata, ela destaca febre persistente, dificuldade para respirar, chiado no peito, sonolência excessiva e recusa alimentar, principalmente em crianças menores ou com histórico de alergias e doenças respiratórias.

Frio, ar seco e ambientes fechados aumentam o risco

O médico Alexandre Martins, professor de otorrinolaringologia na Afya Centro Universitário Itaperuna, explica que o clima frio e seco favorece a transmissão. “No frio e na baixa umidade, os vírus sobrevivem mais tempo no ar e se espalham com mais facilidade”, afirma.

Segundo ele, o ressecamento do nariz e da garganta reduz uma barreira natural do organismo. “O ar frio e seco resseca a mucosa do nariz e da garganta, que funciona como a primeira barreira de defesa do corpo. Com essa proteção reduzida, os vírus entram com mais facilidade. Em ambientes fechados e mal ventilados, o risco é ainda maior”, completa.

O que fazer para reduzir a transmissão em casa

Os especialistas recomendam medidas simples para diminuir o risco de infecção e de agravamento dos quadros respiratórios na infância. Martins ressalta: “Ventilar os ambientes, higienizar o nariz com soro fisiológico, evitar exposição ao cigarro e manter uma boa hidratação ajudam diretamente na saúde respiratória infantil”.

Isabela reforça que a prevenção também passa pela imunização. “A prevenção envolve manter a vacinação em dia, tanto para doenças virais quanto bacterianas”, afirma. Ela acrescenta que consultas regulares com o pediatra ajudam a orientar cuidados individuais, especialmente para crianças com histórico de problemas respiratórios.

Segundo os médicos, alguns cuidados práticos podem ser incorporados à rotina:

  • Manter a vacinação em dia, incluindo a vacina contra a gripe quando indicada.
  • Oferecer água ao longo do dia, mesmo sem a criança pedir.
  • Reforçar a higiene das mãos, especialmente após brincar, tossir e antes das refeições.
  • Abrir janelas diariamente para ventilar a casa e evitar ambientes fechados e sem circulação de ar.
  • Fazer higiene nasal com soro fisiológico para ajudar a limpar as vias respiratórias.
  • Priorizar uma alimentação com frutas e legumes, conforme orientação da família e do pediatra.
  • Procurar atendimento diante de febre alta persistente, chiado no peito, dor de ouvido, falta de ar, cansaço intenso ou prostração.