Geriatria

Beijo no Carnaval aumenta risco de infecções; saiba como se proteger

Otorrinolaringologista explica formas de contágio, sinais de alerta e prevenção durante a folia.

Por Redação Brazil Health , 10/02/2026

3 min de leitura

Beijo no Carnaval aumenta risco de infecções; saiba como se proteger

Com blocos e festas lotados, a troca de saliva em beijos pode facilitar a transmissão de vírus e bactérias. A avaliação é da otorrinolaringologista Roberta Pilla, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), que orienta foliões sobre riscos e cuidados.

Riscos ligados ao beijo na folia

Segundo a médica, o contato direto com saliva e secreções da garganta torna o beijo uma via eficiente de contágio de diferentes infecções. “Entre as principais doenças transmitidas pelo beijo estão a mononucleose infecciosa, conhecida como ‘doença do beijo’, o herpes simples tipo 1, o citomegalovírus, além de infecções respiratórias como gripe, resfriados e a COVID-19”, afirma.

Ela acrescenta que, em situações específicas, também pode ocorrer transmissão de bactérias associadas a quadros mais graves, como meningite meningocócica, e até sífilis, sobretudo quando há feridas ou lesões na mucosa oral.

A especialista explica que a cavidade oral favorece a entrada de microrganismos. “Ela é naturalmente úmida, aquecida e muito vascularizada, o que favorece tanto a sobrevivência quanto a entrada de vírus e bactérias no organismo. Pequenas inflamações, aftas, gengivites ou microfissuras muitas vezes imperceptíveis facilitam ainda mais esse processo”, diz.

O risco aumenta em beijos mais longos e com maior troca de saliva – “quanto maior o tempo de exposição e o volume de secreção compartilhada, maior a chance de transmissão, especialmente se uma das pessoas estiver com uma infecção ativa, mesmo que ainda no início”, alerta Pilla. Beijos rápidos tendem a ter menor risco, mas não o eliminam.

Sinais de alerta após a folia

Após festas e aglomerações, alguns sintomas indicam que é hora de procurar avaliação médica. Entre eles estão:

  • febre;
  • dor de garganta intensa ou dificuldade para engolir;
  • aumento dos gânglios no pescoço;
  • cansaço excessivo;
  • bolhas ou feridas nos lábios;
  • manchas pelo corpo;
  • dor de cabeça persistente.

“A maioria das infecções é leve, mas sintomas intensos ou prolongados não devem ser ignorados”, orienta a médica.

Prevenção: cuidado sem perder a festa

Na avaliação da otorrinolaringologista, algumas atitudes reduzem o risco de transmissão durante o Carnaval:

  • evitar beijar pessoas com febre, dor de garganta, tosse intensa ou lesões visíveis nos lábios;
  • não compartilhar copos, latas, garrafas e utensílios;
  • mantener higiene oral e hidratação adequadas;
  • dormir e se alimentar bem para apoiar a imunidade;
  • manter a vacinação em dia – especialmente contra gripe e meningite, quando indicada.

“O beijo faz parte da vida social e afetiva, especialmente no Carnaval, mas é fundamental lembrar que diversão e cuidado com a saúde precisam caminhar juntos. Se estiver doente, o ideal é evitar contato íntimo até a recuperação e, depois da festa, observar os sinais do próprio corpo”, conclui Pilla.