Dor no polegar e no punho pode estar ligada ao uso excessivo do celular
Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão alerta que digitar por longos períodos e repetir movimentos pode desencadear tendinite e desgaste na base do polegar, com sintomas que vão de desconforto a perda de força.
Por Redação Brazil Health , 15/05/2026
3 min de leitura
O uso intenso do celular, especialmente para digitar mensagens e navegar em redes sociais por muitas horas, tem sido associado ao aumento de queixas como dor, formigamento e dificuldade para segurar objetos. A Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM) chama atenção para lesões por sobrecarga provocadas por movimentos repetitivos, entre elas a tendinite apelidada de “WhatsAppite”.
O termo surgiu em 2014, após um relato publicado na revista científica The Lancet sobre uma paciente que passou cerca de seis horas segurando um smartphone e fazendo movimentos contínuos com os polegares para responder mensagens. Desde então, a expressão passou a ser usada de forma coloquial para descrever a inflamação relacionada à digitação repetitiva.
Além da tendinite, outra condição que pode ser agravada pelo esforço repetido é a rizartrose, um tipo de artrose que atinge a articulação da base do polegar e pode causar dor, rigidez e limitação de movimentos.
Por que o polegar sofre mais
Segundo o presidente da SBCM, o ortopedista Roberto Luiz Sobania, a digitação no celular costuma concentrar esforço no polegar, dedo essencial para a função da mão. “O polegar possui uma articulação na base naturalmente mais vulnerável em comparação aos demais dedos, com maior predisposição à instabilidade e ao desgaste ao longo do tempo. Por isso, movimentos repetitivos e de alta frequência, como os realizados durante a digitação rápida no celular, podem gerar sobrecarga nessa região”, afirma.
Sinais de alerta que não devem ser ignorados
Os sintomas tendem a aparecer de forma gradual e, no começo, podem ser confundidos com um incômodo passageiro. “Com o tempo, a dor pode se intensificar e dificultar movimentos simples, principalmente após longos períodos usando o aparelho. Também é comum sentir rigidez, sensibilidade na região dos punhos e dos dedos, além de perda de força para realizar tarefas do cotidiano”, diz Sobania.
O especialista orienta buscar avaliação quando as queixas se tornam frequentes ou passam a limitar atividades do dia a dia. “Quando os sintomas passam a ser frequentes ou começam a limitar movimentos simples, é fundamental procurar avaliação especializada”, alerta.
Como reduzir o risco no dia a dia
Para diminuir o impacto do uso prolongado, a SBCM recomenda adotar pausas regulares, evitar longos períodos seguidos com o aparelho na mão e alternar a forma de segurar e digitar. Alongamentos e descanso da musculatura também podem ajudar a prevenir sobrecargas e aliviar tensões associadas à repetição de movimentos.
“Quanto mais cedo o paciente procurar avaliação médica, maiores são as chances de controlar o quadro sem que a lesão avance. Mudar alguns hábitos na rotina também é fundamental para evitar que as lesões se tornem recorrentes e afetem em atividades simples do dia a dia”, conclui.
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