Onncologia

Estudo no NEJM indica que imunoterapia reduz risco de piora do mieloma múltiplo

Pesquisa internacional testou o teclistamabe em pacientes com doença que voltou ou não respondeu e encontrou melhora no controle do câncer, com atenção para maior risco de infecções graves.

Por Redação Brazil Health , 08/06/2026

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Estudo no NEJM indica que imunoterapia reduz risco de piora do mieloma múltiplo

Um estudo internacional publicado no The New England Journal of Medicine (NEJM) aponta que a imunoterapia teclistamabe pode oferecer vantagem importante para pessoas com mieloma múltiplo recidivado ou refratário – quando a doença retorna após o tratamento ou não responde ao que foi feito. O trabalho avaliou o medicamento em comparação com terapias consideradas padrão para pacientes que já haviam passado por uma a três linhas de tratamento.

De acordo com os resultados, o uso do teclistamabe reduziu em 71% o risco de progressão da doença ou morte. A pesquisa também registrou melhora na sobrevida global e aumento nas taxas de resposta completa, um indicador de maior controle do câncer após a terapia.

O A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo, participou do grupo de pesquisa. Segundo a instituição, foi o segundo centro do mundo em número de pacientes incluídos no estudo.

Como a terapia funciona

O teclistamabe é um anticorpo biespecífico, um tipo de imunoterapia desenhada para direcionar a resposta do sistema imunológico contra as células do mieloma. O alvo é o BCMA, uma molécula presente nas células do tumor, o que ajuda a “aproximar” células de defesa das células cancerosas para que sejam atacadas.

Para o hematologista Jayr Schmidt Filho, líder do Centro de Referência em Neoplasias Hematológicas do A.C.Camargo e um dos autores do artigo, os dados sugerem que antecipar o uso dessa estratégia pode trazer ganhos clínicos. “O objetivo do estudo era entender se utilizar essa imunoterapia mais precocemente poderia melhorar os resultados dos pacientes. E a resposta foi sim”, afirma.

Risco de infecções exige acompanhamento

Os pesquisadores destacam, porém, que o benefício veio acompanhado de maior incidência de infecções graves entre os pacientes tratados com a imunoterapia. “Atualmente sabemos que, para o teclistamabe, é fundamental adotar estratégias preventivas, como vacinação adequada, profilaxias antimicrobianas e reposição de imunoglobulina. Ainda assim, é um tratamento imunossupressor e exige acompanhamento rigoroso”, diz Schmidt.

O teclistamabe já tem aprovação da Anvisa no Brasil. A expectativa dos autores é que os novos dados ajudem a embasar a ampliação do uso da terapia em fases mais precoces do tratamento.

O que é o mieloma múltiplo

O mieloma múltiplo é um câncer do sangue que afeta as células plasmáticas na medula óssea. Pode causar anemia, dores ósseas, problemas nos rins e aumento do risco de infecções. Apesar dos avanços nos últimos anos, casos de recaída ou resistência continuam sendo um desafio para médicos e pacientes.