Cirurgia Cardiovascular

Vacinas em quem trata câncer: quais são indicadas e quais devem ser evitadas

Especialistas orientam que o esquema vacinal seja planejado caso a caso e, quando possível, aplicado antes de quimio ou outras terapias que reduzem a imunidade para diminuir risco de infecções graves.

Por Redação Brazil Health , 08/06/2026

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Vacinas em quem trata câncer: quais são indicadas e quais devem ser evitadas

Pacientes em tratamento contra o câncer têm mais chance de desenvolver infecções e de evoluir com quadros graves, o que pode levar a internações e até à interrupção de etapas do tratamento. Por isso, a vacinação nesse grupo não deve seguir automaticamente o calendário padrão da população geral e precisa ser definida de forma individualizada.

A infectologista Adriana Coracini Tonacio de Proença, coordenadora da área no IBCC Oncologia, afirma que a imunização deve fazer parte do plano terapêutico. “A vacinação é uma estratégia fundamental no cuidado do paciente com câncer. Ao prevenir infecções, conseguimos reduzir intercorrências que muitas vezes levam à suspensão do tratamento”, diz.

Entre os agentes que mais preocupam estão pneumococo, influenza, covid-19 e meningococo, que podem causar doença com maior gravidade em pessoas com o sistema imunológico comprometido.

Quais vacinas costumam ser priorizadas

De modo geral, as vacinas mais utilizadas em pacientes oncológicos são as inativadas ou feitas com partes do microrganismo, por não conterem vírus vivos. Segundo a especialista, quando há tempo antes do início de terapias imunossupressoras, o ideal é antecipar as doses. “O ideal é que essas vacinas sejam aplicadas pelo menos 14 dias antes do início da quimioterapia ou de qualquer terapia imunossupressora”, orienta.

Mesmo quando o tratamento já começou, a vacinação pode continuar em muitos casos. “Mesmo durante alguns tratamentos, como a quimioterapia, vacinas como influenza e covid-19 continuam sendo recomendadas. A resposta pode não ser tão robusta, mas ainda assim há benefício clínico”, afirma.

Entre as vacinas citadas como frequentemente indicadas estão as pneumocócicas (13 e 23-valente), meningocócica ACWY, hepatites A e B, dTpa, influenza, covid-19, HPV (até 45 anos) e Haemophilus influenzae tipo B, além das do calendário básico, conforme avaliação médica e disponibilidade.

Vacinas com vírus vivo exigem cautela

Vacinas de vírus vivos atenuados costumam ser evitadas durante a quimioterapia e outras fases de maior imunossupressão, por risco de complicações. “Vacinas como tríplice viral, varicela, febre amarela e dengue, de forma geral, são contraindicadas durante a quimioterapia”, diz Adriana.

Em situações específicas, principalmente em pacientes com tumores sólidos, pode haver exceção se a aplicação ocorrer antes do início do tratamento. “Em alguns casos específicos, essas vacinas podem ser consideradas, desde que aplicadas pelo menos quatro semanas antes do início do tratamento”, explica.

Também há cuidados com medicamentos que reduzem fortemente a resposta do organismo. A médica cita o Rituximabe como exemplo de anticorpo monoclonal que pode diminuir muito a efetividade da vacinação. “Nesses casos, recomendamos aguardar cerca de seis meses após a última dose para buscar uma resposta mais efetiva à vacina e com segurança”, afirma.

Família vacinada ajuda a proteger o paciente

Além das doses do próprio paciente, a orientação é que familiares e cuidadores mantenham o calendário vacinal em dia, reduzindo a circulação de vírus e bactérias dentro de casa. “A vacinação dos contatos próximos é pilar de proteção. Quando familiares estão com o calendário vacinal em dia, conseguimos reduzir a circulação de agentes infecciosos no ambiente do paciente”, diz a infectologista.

Ela também rebate desinformações comuns. “Isso é um mito. Não existe evidência de que vacinas causem câncer ou acelerem a progressão tumoral”, afirma, ao comentar boatos sobre relação entre imunização e piora do tumor. Sobre a vacina da gripe, reforça: “Não. A vacina utilizada é inativada, ou seja, não tem capacidade de causar a doença.”

Para quem encerrou o tratamento e entrou em remissão, o acompanhamento continua sendo importante. “De forma alguma. O sistema imunológico pode continuar fragilizado por um período após o tratamento”, diz, ao explicar por que a atualização do esquema vacinal pode seguir necessária mesmo depois do fim das terapias.