Cirurgia Cardiovascular

Transplante de fígado: 5 doenças que mais levam à cirurgia, segundo especialista

Cirrose, câncer e hepatites crônicas estão entre as causas mais comuns de falência do órgão, que pode evoluir sem sintomas por anos; Brasil realizou 1.923 transplantes entre janeiro e setembro de 2025.

Por Redação Brazil Health , 16/03/2026

3 min de leitura

Transplante de fígado: 5 doenças que mais levam à cirurgia, segundo especialista

O Brasil realizou 1.923 transplantes de fígado entre janeiro e setembro de 2025, segundo dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO). No mesmo período, 1.438 pessoas permaneciam na fila à espera do órgão. Por trás desses números estão doenças hepáticas graves que podem avançar de forma silenciosa até o ponto em que a substituição do fígado se torna a única alternativa para manter o paciente vivo.

O fígado participa de centenas de processos essenciais, como metabolizar nutrientes, produzir proteínas, armazenar energia e ajudar na eliminação de substâncias tóxicas. Quando o dano é extenso e duradouro, a capacidade de recuperação do órgão pode não ser suficiente. “Ele tem uma grande capacidade de regeneração, mas quando a lesão é extensa ou prolongada, chega um momento em que o órgão já não consegue mais cumprir suas funções básicas”, afirma o cirurgião gastrointestinal Lucas Nacif, membro da ABTO.

As principais causas que podem levar ao transplante

Entre as condições mais frequentes relacionadas à necessidade de transplante, especialistas destacam doenças que provocam cicatrização progressiva, tumores e falência rápida do órgão.

A cirrose hepática está entre as causas mais comuns. Ela ocorre quando o fígado passa por um processo de cicatrização contínua, com perda gradual de função. Pode estar associada ao consumo excessivo de álcool, a hepatites virais ou à chamada gordura no fígado. “Com a progressão da cirrose, o fígado perde sua capacidade funcional e o transplante passa a ser considerado quando surgem complicações importantes”, diz Nacif.

O câncer de fígado, especialmente o carcinoma hepatocelular, também pode levar à indicação de transplante em situações selecionadas. “Quando o câncer é diagnosticado em estágios específicos e dentro de determinados critérios, o transplante pode oferecer boas chances de tratamento e controle da doença”, afirma o cirurgião.

Outra causa são doenças metabólicas ou genéticas que afetam diretamente o funcionamento do órgão ao longo da vida, como hemocromatose, doença de Wilson e deficiência de alfa-1 antitripsina. Nesses casos, o transplante pode ser necessário quando há comprometimento avançado da função hepática.

Hepatites crônicas e falência súbita do fígado

As hepatites virais crônicas, principalmente pelos vírus B e C, podem causar inflamação persistente, levar à fibrose e evoluir para cirrose. Quando surgem sinais de falência do órgão ou complicações associadas, o transplante pode ser indicado como tratamento definitivo.

Já a insuficiência hepática aguda, embora menos frequente, é uma emergência: o fígado perde a função em dias ou semanas. Entre os gatilhos estão intoxicação por medicamentos, infecções virais e algumas doenças autoimunes. “Nesses casos, o transplante muitas vezes precisa ser realizado de forma urgente, pois o risco de complicações e morte pode ser elevado sem a substituição do órgão”, alerta Nacif.

Prevenção e diagnóstico cedo ainda são o melhor caminho

O especialista destaca que muitas doenças do fígado podem avançar sem sinais claros por longos períodos, o que dificulta o diagnóstico. “Muitas dessas condições evoluem silenciosamente por anos. Manter acompanhamento médico, realizar exames de rotina e investigar sintomas como cansaço persistente, inchaço abdominal ou alterações digestivas pode ajudar a identificar problemas antes que eles avancem”, conclui.