Cirurgia Cardiovascular

SUS vai oferecer teste genético para identificar risco hereditário de câncer de mama

Portaria publicada no Diário Oficial inclui o sequenciamento dos genes BRCA1 e BRCA2; rede pública tem prazo de até 180 dias para começar a oferta.

Por Redação Brazil Health , 15/05/2026

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SUS vai oferecer teste genético para identificar risco hereditário de câncer de mama

O Sistema Único de Saúde (SUS) passará a oferecer testagem genética para identificar alterações associadas ao risco hereditário de câncer de mama. A medida foi formalizada por portaria publicada em 13 de maio no Diário Oficial da União e prevê a realização do Sequenciamento de Nova Geração para os genes BRCA1 e BRCA2.

A mudança importa porque essas mutações aumentam a chance de alguns tipos de câncer, especialmente de mama e ovário, e a identificação de pessoas com maior risco pode orientar acompanhamento mais intensivo e estratégias de prevenção. “Pessoas com mutação nos genes BRCA1 e BRCA2 têm mais chances de desenvolver vários tipos de câncer, como mama e ovário, entre outros”, afirma a mastologista Alessandra Borba, presidente do Departamento de Oncogenética da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).

A portaria determina que o SUS tem até 180 dias para iniciar a oferta do exame. Antes da incorporação nacional, o acesso na rede pública era desigual e dependia de iniciativas locais em alguns estados.

O que muda com a nova regra

Com a inclusão do exame, a expectativa é ampliar o acesso a um teste que, na rede privada, pode custar de R$ 1.000 a R$ 3.000, segundo a SBM. A entidade ressalta que, nos serviços particulares, é comum a análise incluir outros genes além de BRCA1 e BRCA2, por meio de painéis multigênicos.

Para a SBM, a incorporação pelo SUS também abre caminho para estruturar uma linha de cuidado específica para famílias com suspeita de câncer hereditário, com orientação clínica a partir do resultado do teste.

Impacto para pacientes e famílias

Ao identificar uma mutação, pode ser indicado um plano individualizado de acompanhamento e, em alguns casos, medidas para reduzir risco. Entre as opções citadas por especialistas estão cirurgias redutoras de risco, como mastectomia e retirada de trompas e ovários (salpingo-ooforectomia), a depender do perfil de cada paciente e de avaliação médica.

“Há mais de dez anos, o acesso ao teste genético existe nos planos de saúde, mas ainda não é plenamente disponibilizado na rede pública”, diz Borba. Ela acrescenta que a incorporação inicial com BRCA1 e BRCA2 é um primeiro passo e que a expansão para outros genes pode ser discutida nas próximas etapas.

Implementação deve ser gradual

Mastologistas envolvidos no processo defendem que a oferta no SUS ocorra de forma escalonada, com definição de população-alvo e avaliação de custos. “A inclusão do teste, com custos e impactos orçamentários definidos para uma população-alvo inicialmente restrita é o primeiro passo”, afirmam Henrique Lima Couto, da SBM, e Alessandra Borba.

O presidente da SBM, Guilherme Novita, destaca que a portaria é resultado de discussões técnicas e participação social no processo de avaliação da incorporação. “Este é um momento histórico para a população atendida pela rede pública de saúde”, afirma.