Cirurgia Cardiovascular

Remédios para emagrecer podem reduzir risco de morte por câncer de intestino, aponta ASCO

Pesquisas apresentadas no maior congresso de oncologia dos EUA observaram maior sobrevida em pessoas com câncer colorretal que usaram medicamentos da classe do GLP-1, conhecida por canetas para perda de peso.

Por Redação Brazil Health , 03/06/2026

3 min de leitura

Remédios para emagrecer podem reduzir risco de morte por câncer de intestino, aponta ASCO

Medicamentos da classe do GLP-1, indicados para diabetes tipo 2 e que ganharam popularidade pelo efeito no emagrecimento, podem estar associados a menor risco de morte em pessoas com câncer colorretal. A hipótese aparece em dois estudos apresentados no congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), realizado em Chicago, nos Estados Unidos, e encerrado em 2 de junho.

Os trabalhos analisaram pacientes em situações diferentes da doença: um grupo com câncer colorretal metastático (quando há espalhamento para outros órgãos) e outro em tratamento com quimioterapia de primeira linha. Em ambos, o uso desses medicamentos foi ligado a maior sobrevida, embora os autores ressaltem que os resultados ainda precisam ser confirmados em pesquisas futuras.

Para a oncologista Maria Ignez Braghiroli, especialista em tumores do trato gastrointestinal, a combinação entre tratamento oncológico e fármacos para controle de peso vem se tornando mais comum na prática clínica. “Cabe a nós entender a segurança dessa combinação e explorar, com mais dados, se há vantagem em controle de peso com esse tipo de medicamento no tratamento oncológico e na incidência de câncer”, afirma.

O que os estudos observaram

No estudo com câncer colorretal metastático, pesquisadores do The New York Medical College acompanharam 276 pacientes e compararam dois grupos, sendo que apenas um recebeu a medicação da classe do GLP-1. Em um ano, o grupo exposto ao medicamento apresentou redução de 32% no risco de morte em relação ao grupo que não usou o fármaco, segundo os dados apresentados. Os autores relataram que a associação se manteve em análises de três e cinco anos.

Já uma pesquisa do Atrium Health Levine Cancer avaliou 4.824 pacientes com câncer colorretal em quimioterapia padrão de primeira linha. Metade utilizou um medicamento do tipo GLP-1 no intervalo de 90 dias antes ou depois do início da quimioterapia. Após acompanhamento médio de 24,6 meses, o estudo apontou aumento do tempo de vida e redução de 18% no risco de morte entre os usuários.

Excesso de peso e câncer entram na discussão

Os resultados se inserem em um debate mais amplo sobre o papel do excesso de peso e do sedentarismo no risco e no desfecho de diferentes tipos de câncer. “O controle da obesidade e do estado inflamatório associado a ela deve fazer parte da estratégia global da assistência aos pacientes com câncer”, diz o oncologista Alexandre Palladino, também especialista em tumores gastrointestinais. Para ele, essa classe de medicamentos pode se tornar mais uma ferramenta a ser estudada no contexto do tratamento oncológico.

O câncer colorretal é um dos tumores mais frequentes em homens e mulheres, especialmente após os 50 anos. No Brasil, estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) indicam aumento na incidência ao longo da última década, com projeção de crescimento do número de casos até 2026.

O que ainda falta responder

Apesar dos achados, especialistas destacam que os estudos apresentados em congresso não significam, por si só, mudança imediata de conduta. Ainda é necessário esclarecer quais pacientes poderiam se beneficiar, qual seria o melhor momento de uso, como ficam os riscos e interações com quimioterapia e outros tratamentos, e se o efeito observado decorre do próprio medicamento, do controle metabólico, da perda de peso ou de uma combinação desses fatores.