Cirurgia Cardiovascular

Radioterapia pode tratar câncer de esôfago com chance de cura em alguns casos

Sociedade Brasileira de Radioterapia destaca que, quando indicada no momento certo, a técnica pode ter intenção curativa em fases iniciais e em tumores localmente avançados, além de aliviar sintomas em casos mais avançados.

Por Redação Brazil Health , 20/04/2026

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Radioterapia pode tratar câncer de esôfago com chance de cura em alguns casos

A radioterapia pode ser parte central do tratamento do câncer de esôfago e, em alguns pacientes, ser usada com intenção curativa, especialmente quando a doença é diagnosticada no início ou ainda está restrita à região do esôfago e estruturas próximas. O tema ganha destaque no Abril Azul Claro, campanha de conscientização sobre esse tipo de tumor, que segue com alta mortalidade no país.

Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2026–2028 apontam crescimento no número anual de novos casos: de 8.200 para 11.390, uma alta de 38,9% em relação ao triênio anterior. Já o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, registrou 8.677 mortes por câncer de esôfago em 2024, sendo 6.830 entre homens e 1.847 entre mulheres.

Segundo especialistas, a maior mortalidade masculina está relacionada, em parte, à exposição mais frequente a fatores de risco como tabagismo e consumo de álcool.

Quando a radioterapia pode ter intenção curativa

A Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) afirma que a radioterapia integra o tratamento multimodal do câncer de esôfago, podendo ser usada para controlar a doença e também para buscar cura em situações selecionadas. “A radioterapia permanece como componente fundamental dentro da abordagem terapêutica do câncer de esôfago. Cada caso deve ser avaliado individualmente, considerando localização do tumor, estadiamento e condições clínicas do paciente”, diz o radio-oncologista Wilson José de Almeida Jr., presidente da SBRT.

Em casos iniciais e em alguns tumores localmente avançados, a radioterapia pode ser indicada sozinha ou combinada à quimioterapia e à cirurgia. A radioquimioterapia é uma estratégia utilizada quando a cirurgia não é possível, seja pela localização do tumor, seja pelo estado clínico do paciente. “Em determinadas situações, é possível alcançar resposta completa, possibilitando um tratamento mais conservador sem a ressecção cirúrgica”, afirma Almeida Jr.

Antes da cirurgia e para aliviar sintomas

Além do uso como tratamento principal, a radioterapia pode ser indicada antes da cirurgia (tratamento neoadjuvante), com o objetivo de reduzir o tumor e aumentar a chance de retirada completa. Em estágios avançados ou quando há metástases, o foco costuma ser paliativo – ajudando a diminuir dor e a dificuldade para engolir, um dos sintomas que mais afetam a qualidade de vida.

Sintomas, subtipos e fatores de risco

No Brasil, o subtipo mais comum é o carcinoma escamoso (também chamado de epidermoide), associado principalmente ao tabagismo e ao álcool, e responsável por cerca de 96% dos casos segundo o INCA. Já o adenocarcinoma costuma estar ligado a obesidade, refluxo gastroesofágico crônico e esôfago de Barrett – condição que pode surgir após anos de refluxo.

O diagnóstico precoce ainda é um desafio porque, no início, a doença pode não causar sintomas. Quando aparecem sinais persistentes, a orientação é procurar avaliação médica. Entre os principais sintomas estão:

  • dificuldade para engolir;
  • perda de peso sem causa aparente;
  • dor no peito ou queimação;
  • azia ou piora da digestão;
  • tosse ou rouquidão.

Fatores de risco associados ao câncer de esôfago incluem:

  • tabagismo;
  • consumo de bebidas alcoólicas;
  • refluxo gastroesofágico crônico e esôfago de Barrett;
  • obesidade;
  • dieta pobre em frutas, vegetais e fibras;
  • consumo frequente de alimentos e bebidas muito quentes;
  • envelhecimento.