Cirurgia Cardiovascular

Nova pílula experimental quase dobra sobrevida no câncer de pâncreas avançado

Estudo com 500 pacientes aponta ganho de tempo de vida com daraxonrasib em casos metastáticos já tratados, mas especialistas alertam que o resultado não significa cura e ainda depende de etapas regulatórias.

Por Redação Brazil Health , 15/06/2026

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Nova pílula experimental quase dobra sobrevida no câncer de pâncreas avançado

Um medicamento oral experimental chamado daraxonrasib trouxe novos dados para um dos cenários mais difíceis da oncologia: o câncer de pâncreas metastático em pacientes que já passaram por tratamento. Em estudo de fase 3 publicado no New England Journal of Medicine, a droga praticamente dobrou a sobrevida mediana na comparação com a quimioterapia usada como padrão.

O câncer de pâncreas costuma ser diagnosticado tardiamente e tem evolução agressiva. No Brasil, responde por cerca de 5% das mortes por tumores, apesar de representar aproximadamente 1% dos diagnósticos, segundo o oncologista Ramon Andrade de Mello, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia.

O que o estudo mostrou

A pesquisa acompanhou 500 pessoas com câncer de pâncreas metastático previamente tratado, divididas entre daraxonrasib e quimioterapia. Na análise geral, a sobrevida global mediana foi de 13,2 meses no grupo que recebeu o novo medicamento, contra 6,6 meses no grupo da quimioterapia.

Outro dado foi a taxa de resposta objetiva, medida que indica redução relevante ou desaparecimento de lesões avaliadas: 31,6% com daraxonrasib, ante 11,2% com quimioterapia. “Estudos como esse, que mostram ganho real de sobrevida, têm um peso muito grande visto que o câncer de pâncreas costuma ser diagnosticado em fases avançadas, muitas vezes já em metástase”, afirmou Mello.

Por que o mecanismo chama atenção

O diferencial do daraxonrasib, segundo o especialista, está no alvo do tratamento. A droga atua na via RAS, relacionada ao crescimento e à multiplicação das células tumorais, com destaque para alterações no gene KRAS, frequentes nesse tipo de câncer. “Durante décadas, esse alvo foi considerado extremamente difícil de bloquear com medicamentos”, disse o oncologista, ao apontar o potencial de mudança no tratamento.

Os resultados também reforçam a tendência da medicina de precisão na oncologia, com terapias direcionadas a alterações moleculares específicas do tumor, em vez de tratar todos os casos de um mesmo órgão de forma semelhante. “É cada vez mais relevante entender quais alterações estão sustentando o crescimento tumoral e buscar formas de bloqueá-las com mais precisão”, afirmou.

Por que não é um milagre

Apesar do avanço, especialistas alertam para leituras exageradas. O daraxonrasib ainda está em avaliação e os dados se aplicam a um grupo específico: pacientes com doença metastática que já haviam recebido uma linha anterior de tratamento. “É natural que uma notícia como essa gere esperança, principalmente em uma doença tão desafiadora. Mas precisa caminhar junto com informação correta”, disse Mello.

O oncologista ressalta que ainda entram na conta a aprovação regulatória, critérios de indicação, disponibilidade e a necessidade de acompanhar dados de segurança fora de estudos. “Ainda precisamos levar em consideração fatores como aprovação regulatória, disponibilidade, critérios de indicação, perfil molecular do tumor e acompanhamento dos dados de segurança no mundo real”, afirmou.

Em paralelo, ele lembra que o número absoluto de casos tem crescido globalmente, influenciado pelo envelhecimento da população e por fatores de risco como tabagismo, obesidade, diabetes e dietas ricas em gordura. Para Mello, o estudo amplia o arsenal terapêutico e pode abrir caminho para novas combinações e pesquisas na doença.