Cirurgia Cardiovascular

Fevereiro Laranja reforça alerta para leucemia e doação de medula no Brasil

Campanha destaca diagnóstico precoce e a necessidade de ampliar o cadastro de doadores no Redome

Por Redação Brazil Health , 21/02/2026

4 min de leitura

Fevereiro Laranja reforça alerta para leucemia e doação de medula no Brasil

O Fevereiro Laranja, campanha reconhecida pelo Ministério da Saúde, amplia a discussão sobre leucemia e doação de medula óssea no país, com foco em informação de qualidade e incentivo ao cadastro de doadores. Especialistas reforçam que o diagnóstico precoce e o acesso a centros especializados impactam diretamente as chances de sucesso do tratamento.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a leucemia ocupa a 13ª posição entre os tumores mais incidentes no Brasil, desconsiderando os de pele não melanoma. Para 2026–2028, estão previstos 12.220 casos novos por ano – 6.540 em homens e 5.680 em mulheres.

O que é a leucemia

A leucemia é um conjunto de cânceres do sangue com origem na medula óssea, responsável pela produção das células sanguíneas. Quando células anormais passam a se multiplicar e substituem as saudáveis, funções essenciais, como defesa do organismo, transporte de oxigênio e coagulação, ficam comprometidas.

“As formas agudas costumam evoluir rapidamente e exigem tratamento imediato, enquanto as crônicas tendem a apresentar progressão mais lenta e, em alguns casos, podem permanecer controladas por longos períodos”, afirma Roberto Luiz Silva, hematologista e responsável técnico pelo Departamento de Transplante de Medula Óssea do IBCC Oncologia.

Fatores de risco e sinais de alerta

O risco de desenvolver leucemia aumenta com a idade, com exceção da leucemia linfoblástica aguda, mais comum em crianças. O tabagismo está associado, sobretudo, à leucemia mieloide aguda e à leucemia linfocítica crônica.

Condições genéticas e hereditárias também elevam a probabilidade de adoecimento, a depender do tipo de leucemia. Entre elas estão:

  • Síndrome de Down
  • Anemia de Fanconi
  • Síndrome de Li-Fraumeni
  • Histórico familiar de leucemia

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico envolve hemograma, exames da medula óssea, testes imunológicos e análises genéticas, que ajudam a definir o subtipo da doença e a melhor estratégia terapêutica.

“Realizamos também exames moleculares para leucemia, que analisam DNA ou RNA das células do sangue ou da medula para identificar mutações e alterações cromossômicas. Eles são fundamentais para o diagnóstico preciso, a definição do prognóstico e o monitoramento da resposta ao tratamento, incluindo a detecção de doença residual mínima”, diz Silva.

O tratamento varia conforme o tipo de leucemia, o estágio e as condições clínicas do paciente. As opções incluem quimioterapia, terapias-alvo, imunoterapia e, em situações específicas, o transplante de medula óssea.

Quando o transplante é indicado e tipos disponíveis

O transplante de medula óssea é considerado em quadros de alto risco, falha ao tratamento inicial ou recaída, especialmente em algumas formas agudas. O procedimento substitui a medula doente por células saudáveis, com potencial de restabelecer a produção normal do sangue.

“O transplante é uma etapa decisiva para muitos pacientes, sobretudo quando a leucemia apresenta comportamento agressivo ou não responde adequadamente às terapias iniciais. Ele oferece a possibilidade de reconstrução do sistema hematológico e chance real de cura”, afirma o hematologista.

Há quatro modalidades de transplante, definidas pelo tipo de doador:

  • Autólogo – usa células do próprio paciente
  • Alogênico – utiliza células de doador compatível
  • Haploidêntico – com doador de compatibilidade parcial
  • Singênico – indicado para gêmeos idênticos

Como se cadastrar como doador

Como a compatibilidade genética entre doador e receptor é rara, ampliar o Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) é essencial para aumentar as chances de transplante.

Podem se cadastrar pessoas entre 18 e 35 anos, em bom estado de saúde. O processo começa com a coleta de uma amostra de sangue para análise genética e inclusão no banco de potenciais doadores.

“O maior desafio não é o procedimento em si, mas encontrar um doador compatível. Cada novo cadastro representa esperança para milhares de pacientes que aguardam por um transplante”, reforça Silva.

O Redome possui mais de 5,9 milhões de cadastros ativos e figura entre os maiores registros do mundo. O aumento do número de doadores qualificados amplia a probabilidade de encontrar compatibilidade para pacientes com leucemia e outras doenças hematológicas graves.

Ao longo do Fevereiro Laranja, a recomendação de especialistas é buscar informação confiável, manter exames em dia e considerar o cadastro como doador – atitudes que podem encurtar o caminho até o transplante para quem precisa.