Cirurgia Cardiovascular

Estudo liga peso ao nascer e idade do pai a câncer no intestino em jovens

Pesquisa com registros de mais de 62 mil pessoas sugere que fatores do início da vida podem influenciar o risco de tumor antes dos 40 anos, mas especialistas dizem que hábitos e atenção a sintomas seguem centrais na prevenção e no diagnóstico.

Por Redação Brazil Health , 17/07/2026

4 min de leitura

Estudo liga peso ao nascer e idade do pai a câncer no intestino em jovens

Um estudo publicado na revista científica Cancer levantou a hipótese de que características presentes desde o nascimento, e até a idade do pai no momento da concepção, podem estar associadas ao risco de câncer colorretal (tumor do intestino) em adultos jovens. O tema ganha atenção porque, enquanto a incidência da doença cai em pessoas acima dos 50 anos, os diagnósticos antes dessa idade vêm crescendo nas últimas duas décadas.

No Brasil, o câncer colorretal está entre os mais frequentes. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 53.810 novos casos por ano no país entre 2026 e 2028, somando homens e mulheres (exceto tumores de pele não melanoma).

Para o oncologista Alexandre Jácome, líder nacional da especialidade de tumores gastrointestinais da Oncoclínicas, entender a antecipação dos casos é uma prioridade. “Nos últimos anos, temos observado um aumento consistente dos casos em adultos jovens, inclusive em pessoas sem histórico familiar conhecido. Isso mostra que ainda existem fatores envolvidos no desenvolvimento da doença que precisam ser melhor compreendidos”, afirma.

O que a pesquisa avaliou

Pesquisadores da Yale School of Public Health analisaram registros de nascimento e informações de saúde de mais de 62 mil pessoas nascidas na Califórnia. No grupo, havia 1.221 pacientes diagnosticados com câncer colorretal antes dos 40 anos. Cada caso foi comparado com 50 pessoas da mesma idade sem diagnóstico de câncer.

Após ajustes estatísticos, o estudo encontrou associações com maior risco em alguns grupos: homens, pessoas de origem hispânica, mulheres com maior peso ao nascer e mulheres cujos pais tinham 35 anos ou mais na concepção. Por outro lado, filhos de mães nascidas fora dos Estados Unidos apresentaram risco menor, especialmente entre homens.

Os autores ressaltam que parte dos achados apareceu em análises de subgrupos e precisa ser confirmada em outras populações antes de virar um fator de risco consolidado.

O que muda na prática e o que não muda

Na avaliação de Jácome, os resultados reforçam a ideia de que eventos muito precoces podem influenciar a saúde décadas depois, sem indicar “destino” para a doença. “Isso não significa que alguém esteja predestinado a desenvolver câncer por causa do peso ao nascer ou da idade do pai, mas sim que esses fatores podem interagir com aspectos genéticos, ambientais e comportamentais ao longo da vida”, diz.

O especialista também destaca que as diferenças entre homens e mulheres provavelmente não têm uma única explicação e podem envolver fatores biológicos e comportamentais. “O mais provável é que fatores genéticos, alterações hormonais, estilo de vida, alimentação, obesidade, sedentarismo e características do microbioma atuem em conjunto”, afirma.

Apesar da discussão sobre riscos, o estudo não altera recomendações atuais de rastreamento. Entre as limitações apontadas, estão o foco apenas em diagnósticos antes dos 40 anos e a falta de dados completos sobre predisposição genética, histórico familiar e condições como obesidade materna.

Sintomas que merecem investigação em qualquer idade

Uma preocupação, segundo o oncologista, é que adultos jovens demorem a buscar ajuda por acreditarem que câncer “não é para a idade”. “Sangue nas fezes, alteração do hábito intestinal por várias semanas, dor abdominal persistente, perda de peso sem explicação e anemia são sintomas que merecem investigação, independentemente da idade”, alerta. “O diagnóstico precoce continua sendo uma das principais formas de aumentar as chances de cura.”

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