Cirurgia Cardiovascular

Câncer de testículo: falta de informação atrasa diagnóstico em jovens

Doença é mais comum entre 15 e 34 anos e tem alta chance de cura quando detectada cedo. Especialista explica sinais de alerta, fatores de risco e como é feito o diagnóstico.

Por Redação Brazil Health , 10/04/2026

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Câncer de testículo: falta de informação atrasa diagnóstico em jovens

O câncer de testículo é o tumor maligno mais frequente em homens jovens e costuma ser cercado por constrangimento, o que pode atrasar a busca por avaliação médica. O problema importa porque, quando identificado no início, a taxa de cura ultrapassa 95%.

No Brasil, a estimativa é de cerca de 1,8 mil novos casos no triênio 2026–2028. A doença ocorre principalmente entre 15 e 34 anos, embora também possa aparecer até por volta dos 50.

Segundo Denis Jardim, oncologista com atuação em tumores urológicos, é preciso atenção porque alguns sinais podem ser confundidos com inflamações ou infecções na região. “O paciente pode perceber um nódulo, que na grande maioria das vezes é indolor, ou ainda um aumento e endurecimento do testículo”, afirma.

Sinais que merecem investigação

Além de caroços, aumento de volume ou endurecimento do testículo, outros sintomas podem aparecer. O especialista destaca que o autoexame durante a higiene pode ajudar a perceber alterações. “Já durante a higiene, o autoexame periódico pode permitir a detecção de uma eventual alteração na região, identificando que algo está fora do normal e necessita de maior investigação”, diz.

Entre os sinais de alerta citados no material estão:

  • aumento ou diminuição no tamanho dos testículos;
  • dor inespecífica na parte baixa do abdômen;
  • sangue na urina;
  • sensibilidade dos mamilos (raro);
  • puberdade precoce, com surgimento de pelos faciais e corporais antes do esperado.

Para o oncologista, o silêncio em torno do tema é um obstáculo. “Muitas vezes, quando os sintomas aparecem, os jovens sentem vergonha em se abrir com os pais ou parceiro sobre o assunto”, afirma. Ele defende que conversar sobre o assunto em casa pode facilitar a procura por ajuda.

Quem tem mais risco e como é o diagnóstico

Entre os fatores associados ao risco, o release cita histórico familiar (principalmente em parentes de primeiro grau) e histórico pessoal. Outro ponto é a criptorquidia, condição em que o testículo não desce para a bolsa escrotal na infância. “Em casos de criptorquidia, apesar da correção na infância, ainda existe a possibilidade do desenvolvimento do tumor no futuro”, explica Jardim, ao destacar a importância do acompanhamento médico.

Não há uma forma comprovada de prevenir o câncer de testículo, mas a recomendação é observar regularmente a região e procurar assistência ao notar mudanças. “Caso algum sintoma seja percebido, um profissional deve ser consultado o quanto antes”, orienta.

O diagnóstico começa pelo exame clínico. Se houver suspeita, o caminho inclui ultrassonografia da bolsa escrotal e exames de sangue para marcadores tumorais. “Com a confirmação, definimos em qual momento a tomografia computadorizada do tórax, abdômen e pelve deve ser realizada”, diz o oncologista. Segundo ele, a tomografia ajuda a definir o estágio da doença e a conduta terapêutica.

Tratamento e fertilidade

A escolha do tratamento depende do tipo e do estágio do tumor e pode incluir cirurgia para retirada do testículo por via inguinal, quimioterapia e, em situações específicas, radioterapia. O especialista chama atenção para um tema frequente entre jovens: a possibilidade de ter filhos no futuro.

“Um dos principais procedimentos a serem realizados para preservação da fertilidade é o congelamento de esperma, que deve ser discutido preferencialmente antes do início do tratamento”, afirma Jardim. Ele acrescenta que o impacto na fertilidade pode ser temporário ou permanente, dependendo da terapia indicada.