Cirurgia Cardiovascular

Câncer de rim costuma ser silencioso e é achado em exames de rotina, alerta médico

No Dia Mundial do Câncer de Rim, especialista explica fatores de risco, sinais que podem aparecer tardiamente e como cirurgias e medicamentos mais novos mudaram o tratamento, sobretudo nos casos avançados.

Por Redação Brazil Health , 15/06/2026

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Câncer de rim costuma ser silencioso e é achado em exames de rotina, alerta médico

O câncer de rim costuma evoluir sem sintomas no início e, por isso, é frequentemente descoberto por acaso em exames de imagem feitos por outros motivos. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 11 mil a 12 mil novos casos por ano, com maior frequência a partir dos 60 anos.

Como a doença pode “se esconder” nas fases iniciais, o estágio em que ela é identificada pesa diretamente nas opções de tratamento e nas chances de controle. Em tumores localizados, a cirurgia é a principal abordagem com intenção curativa. Em situações selecionadas, também pode haver vigilância ativa ou técnicas de destruição do tumor por calor (ablação). Já nos casos avançados, o tratamento depende, em geral, de medicamentos para frear a progressão.

Fatores de risco e prevenção possível

Parte dos riscos está ligada a hábitos e condições de saúde que podem ser modificados. “Tabagismo, obesidade, hipertensão arterial não controlada e sedentarismo estão entre os principais fatores associados à doença. O controle desses fatores pode contribuir para a redução do risco de desenvolvimento do câncer renal”, afirma o oncologista clínico Matheus Baptista, da Croma Oncologia.

Segundo ele, também influenciam o risco características como idade, sexo, doença renal crônica e histórico familiar. O médico ressalta que a predisposição genética está presente em aproximadamente 6% a 9% dos casos.

Quando o câncer de rim dá sinais

Estima-se que cerca de 60% dos diagnósticos ocorram incidentalmente, antes de qualquer sintoma. Quando aparecem, os sinais tendem a estar associados a doença mais avançada e podem incluir sangue na urina, dor lombar ou abdominal, perda de peso sem explicação e cansaço persistente. A combinação clássica de dor no flanco, sangue na urina e massa palpável no abdome é considerada rara e, em geral, indica estágio avançado.

O diagnóstico é feito principalmente por exames de imagem. A ultrassonografia costuma ser a porta de entrada ao identificar uma lesão suspeita, e a tomografia com contraste é o padrão para detalhar a massa e avaliar a extensão. Em alguns casos, a ressonância magnética pode substituir a tomografia, especialmente quando há contraindicação ao contraste iodado. A biópsia não é rotina e fica reservada para situações específicas.

Novas combinações ampliam o controle nos casos avançados

Nos últimos anos, o tratamento do câncer de rim avançado mudou com a adoção de combinações de imunoterapia e terapias-alvo, além de esquemas com dupla imunoterapia, que mostraram benefícios em comparação com opções mais antigas. “Hoje conseguimos tratar o câncer de rim de forma mais eficaz em diferentes estágios da doença. Em casos localizados – que representam 70% dos diagnósticos – a cirurgia segue com potencial curativo, com sobrevida em 5 anos superior a 90%”, diz Baptista. “Nas situações avançadas, as terapias sistêmicas trouxeram uma nova perspectiva de controle prolongado da doença e melhora na qualidade de vida.”

Apesar de muitos casos serem detectados cedo, cerca de 10% dos pacientes já chegam ao diagnóstico com metástases, e uma parcela daqueles tratados inicialmente com doença localizada pode desenvolver disseminação mais tarde. Por isso, médicos reforçam a importância de reduzir fatores de risco evitáveis e manter acompanhamento regular de saúde, especialmente em pessoas mais velhas ou com condições associadas.