Cirurgia Cardiovascular

Câncer de próstata pode aparecer antes dos 60 e chegar avançado, aponta DataSUS

Levantamento com dados do SUS aponta milhares de casos antes dos 60 anos e sugere que parte dos pacientes com menos de 50 já descobre a doença quando ela se espalhou, o que reduz as chances de cura.

Por Redação Brazil Health, 26/07/2026

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Câncer de próstata pode aparecer antes dos 60 e chegar avançado, aponta DataSUS

O câncer de próstata é mais comum após os 60 anos, mas também pode atingir homens mais jovens e, em alguns casos, ser identificado já em fase avançada. Um levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), a partir do Painel Oncologia do DataSUS, registrou 9.352 diagnósticos em homens com menos de 60 anos atendidos no SUS em 2024 e 2025.

Entre esses casos, 940 ocorreram antes dos 50 anos. A maior parte se concentrou entre 45 e 49 anos, com 701 registros (74,6%), indicando que o número de diagnósticos começa a crescer de forma mais acentuada ainda na quinta década de vida.

O estudo também chamou atenção para o estágio da doença em parte desses pacientes. Na faixa de 40 a 44 anos, 30 dos 55 casos com estadiamento informado (54,5%) já eram metastáticos no momento do diagnóstico. Entre 45 e 49 anos, 114 dos 259 com essa informação (44%) estavam na mesma condição.

Os especialistas alertam, porém, que os percentuais devem ser lidos com cautela, porque aproximadamente metade dos registros dessas idades não trazia o estadiamento no sistema.

Risco não depende só da idade

Para o cirurgião oncológico Paulo Henrique de Sousa Fernandes, presidente da SBCO, a faixa etária não deve ser o único critério para decidir quem precisa de acompanhamento mais atento. “A idade continua sendo o principal fator de risco para o câncer de próstata, mas ela não é o único. Homens mais jovens também podem desenvolver a doença, especialmente quando apresentam histórico familiar ou predisposição genética”, afirma.

Segundo ele, o desafio é que, por não se considerarem em risco, alguns homens acabam chegando ao diagnóstico tardiamente. “Quando o diagnóstico acontece enquanto a doença ainda está restrita à próstata, as chances de cura são muito maiores”, diz.

Rastreamento deve ser discutido caso a caso

A SBCO defende que homens com maior risco conversem com o médico sobre quando iniciar a avaliação da próstata. A investigação pode incluir o PSA, exame de sangue, combinado ao toque retal, levando em conta idade, histórico familiar, raça e condições clínicas.

“O objetivo é identificar o tumor antes que ele provoque sintomas ou se espalhe para outros órgãos. Para os homens com maior risco, a avaliação individualizada é fundamental”, afirma Fernandes.

Os dados do DataSUS mostram crescimento conforme a idade avança: em 2024 e 2025, foram 657 diagnósticos entre 45 e 49 anos, 2.361 entre 50 e 54 e 6.051 entre 55 e 59. O pico no SUS ocorreu entre 70 e 74 anos, com 17.638 registros no período.

Tratamento muda conforme a fase do tumor

Quando o câncer está restrito à próstata, o tratamento pode incluir cirurgia, radioterapia ou, em situações selecionadas, vigilância ativa para tumores de baixo risco e crescimento lento. Já na doença metastática, a estratégia costuma priorizar controle do tumor e qualidade de vida, com opções como hormonioterapia, radioterapia, cirurgia em indicações específicas e outras terapias sistêmicas.

“O tratamento do câncer de próstata deve ser individualizado e definido por uma equipe multidisciplinar”, destaca Fernandes.

A entidade também aponta que, além da idade, histórico familiar, obesidade e raça negra estão entre os fatores associados a maior risco. Medidas de estilo de vida, como não fumar, manter o peso e praticar atividade física, contribuem para reduzir o risco de vários tipos de câncer. Já sintomas urinários persistentes devem motivar avaliação médica, embora o tumor possa evoluir sem sinais no início.