Cirurgia Cardiovascular

Câncer de intestino cresce entre jovens e costuma ser descoberto tarde no Brasil

Dados do INCA indicam alta incidência do tumor no país; especialistas alertam que falta de rastreamento e desconhecimento de sintomas levam a diagnósticos em estágios avançados.

Por Redação Brazil Health , 21/03/2026

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Câncer de intestino cresce entre jovens e costuma ser descoberto tarde no Brasil

O câncer colorretal, que atinge o intestino grosso e o reto, já está entre os tumores mais frequentes no Brasil e tem preocupado médicos por dois motivos: o aumento de casos em adultos mais jovens e o grande número de diagnósticos tardios. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) divulgados nesta terça-feira (4), a doença aparece entre as mais incidentes em homens e mulheres, ficando na segunda posição quando desconsiderado o câncer de pele não melanoma.

As estimativas do INCA para 2026 a 2028 projetam cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no país, com destaque para a necessidade de ampliar ações de prevenção e diagnóstico precoce dos tumores de cólon e reto.

Para Alexandre Jácome, oncologista e líder nacional da especialidade de tumores gastrointestinais da Oncoclínicas, a mudança no perfil dos pacientes é um sinal de alerta. “Estamos observando um ‘rejuvenescimento’ do câncer colorretal que nos preocupa profundamente”, afirma.

Por que a maioria descobre tarde

Um dos principais entraves no Brasil é que mais de 80% dos pacientes chegam ao diagnóstico nos estágios 3 e 4, quando o tumor já está avançado e pode até se manifestar como emergência, por obstrução ou perfuração intestinal. Jácome explica que a doença pode evoluir de forma silenciosa e, quando há sinais, eles costumam ser subestimados. “O problema é que muitas pessoas ignoram esses sinais ou os confundem com outras condições, como hemorroidas”, diz.

O especialista reforça que sintomas intestinais persistentes devem ser avaliados por um médico, porque podem ter várias causas, mas precisam de investigação para descartar câncer.

Hábitos ligados ao risco e o que pode ser prevenido

Parte relevante dos casos é associada a fatores modificáveis, como alimentação inadequada, excesso de peso, sedentarismo, tabagismo e consumo de álcool. Jácome aponta que a mudança no padrão alimentar, com maior presença de ultraprocessados e menor ingestão de alimentos in natura, ajuda a explicar a tendência de alta. “Somado ao sedentarismo e à obesidade crescente, inclusive entre jovens, temos a tempestade perfeita para o desenvolvimento desse tipo de tumor”, analisa.

Rastreamento: quem deve fazer e por que é decisivo

A colonoscopia é o principal exame para detectar precocemente o câncer colorretal e também permite retirar pólipos, que podem se transformar em tumor ao longo do tempo. A recomendação médica costuma indicar o início do rastreamento entre 45 e 50 anos, ou antes em pessoas com maior risco, como histórico familiar da doença ou condições inflamatórias intestinais.

O problema, segundo o oncologista, é que o rastreamento ainda alcança pouca gente. Além do desconhecimento, pesam barreiras de acesso, como demora para exames e falta de estrutura fora de grandes centros, o que aprofunda desigualdades regionais. “O desafio não é apenas conscientizar a população sobre a importância do rastreamento. É garantir que ela consiga realizar a colonoscopia em tempo hábil”, afirma.

Embora o tratamento tenha avançado, com opções como cirurgia, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e terapias-alvo, especialistas reforçam que o desfecho depende do momento do diagnóstico. “É muito importante que a doença seja diagnosticada o quanto antes através dos exames de rotina”, diz Jácome.

Procure avaliação médica se notar sinais persistentes como:

  • sangue nas fezes (vermelho vivo ou fezes escuras)
  • mudança prolongada do hábito intestinal (diarreia ou constipação)
  • sensação de evacuação incompleta
  • cólicas ou dor abdominal frequentes
  • fraqueza e fadiga sem explicação
  • perda de peso sem motivo aparente