Herpes ocular: infecção pode deixar cicatriz na córnea e afetar a visão
Vírus ligado ao herpes labial também pode atingir os olhos. Dor, sensibilidade à luz e visão embaçada pedem avaliação rápida para evitar complicações, alertam especialistas.
Por Redação Brazil Health , 20/05/2026
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Dor, ardência, lacrimejamento, incômodo com a claridade e dificuldade para enxergar podem ser sinais de herpes ocular, uma infecção causada, na maioria das vezes, pelo herpes simples tipo 1 – o mesmo vírus associado às feridas nos lábios. Sem diagnóstico e tratamento adequados, o quadro pode comprometer estruturas do olho e afetar a visão.
A doença costuma atingir a córnea, camada transparente na parte frontal do globo ocular, e também pode envolver as pálpebras. A primeira infecção pode ocorrer após contato com secreções contaminadas e, mesmo depois de controlada, tende a reaparecer em alguns pacientes.
“O problema merece atenção porque pode provocar lesões capazes de comprometer a qualidade visual de maneira significativa. Dependendo da profundidade atingida, existe risco de cicatrizes permanentes e até perda importante da capacidade de enxergar”, afirma a oftalmologista Jaqueline Fernandes Ruiz, do H.Olhos.
Por que o herpes volta
Segundo a especialista, o vírus pode permanecer no organismo em estado latente, sem causar sintomas por longos períodos. Em situações como estresse intenso, febre, exposição solar excessiva ou baixa imunidade, ele pode ser reativado e provocar novos episódios.
“Muitas pessoas acreditam que tiveram apenas um episódio isolado, porém o agente infeccioso continua latente no corpo. Em alguns momentos, ele volta à atividade e desencadeia novos quadros”, diz Ruiz.
Sintomas que exigem atenção
Entre os sinais mais comuns estão vermelhidão, sensação de areia nos olhos, desconforto, inchaço nas pálpebras, lacrimejamento e sensibilidade aumentada à luz. Em fases mais avançadas, pode haver visão embaçada e dificuldade para manter os olhos abertos.
“Nem toda irritação ocular representa algo simples. Quando existe dor associada à piora visual, é fundamental buscar avaliação oftalmológica rapidamente, para evitar agravamentos”, ressalta a médica.
Diagnóstico, tratamento e prevenção
O diagnóstico é feito em consulta com exame oftalmológico detalhado. O tratamento depende da região afetada e da intensidade do quadro, e pode incluir antivirais. A automedicação é desaconselhada: “Alguns colírios usados sem orientação podem agravar a infecção e favorecer danos mais sérios”, alerta Ruiz.
Para reduzir o risco de transmissão, a orientação é manter higiene frequente das mãos, evitar compartilhar toalhas, maquiagens, fronhas e objetos pessoais e não tocar os olhos após contato com lesões ativas.
A oftalmologista destaca que crianças, idosos, gestantes e pessoas imunossuprimidas merecem atenção redobrada por maior vulnerabilidade a complicações. “A recomendação é procurar assistência ao perceber qualquer alteração ocular persistente”, conclui.