Fisiologia

Glaucoma pode afetar várias pessoas da mesma família e o risco começa antes do diagnóstico

A oftalmologista Regina Cele Silveira Seixas alerta que pais, irmãos e filhos de pacientes com glaucoma têm risco aumentado para a doença e devem fazer acompanhamento oftalmológico periódico, mesmo sem sintomas.

Por Redação Brazil Health , 14/07/2026

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Glaucoma pode afetar várias pessoas da mesma família e o risco começa antes do diagnóstico

As campanhas de conscientização sobre o glaucoma costumam se concentrar em quem já recebeu o diagnóstico. No entanto, para a oftalmologista Regina Cele Silveira Seixas, um grupo que também precisa de atenção são os familiares de primeiro grau de pacientes, já que o histórico familiar é um dos principais fatores de risco para a doença.

O glaucoma é uma condição progressiva que provoca lesões no nervo óptico e está entre as principais causas de cegueira irreversível no mundo. Nas fases iniciais, costuma evoluir sem sintomas, o que dificulta o diagnóstico precoce e o início do tratamento antes que ocorram perdas permanentes da visão.

Estudos populacionais mostram que ter um pai, mãe, irmão ou filho com glaucoma aumenta de forma significativa a probabilidade de desenvolver a doença. Por isso, esses familiares devem ser considerados um grupo de maior risco e realizar avaliações oftalmológicas periódicas.

Essa relação também é observada na prática clínica. Uma parcela importante dos pacientes relata histórico familiar de glaucoma e, quando há casos de cegueira entre parentes, pode haver indicação de formas mais agressivas da doença ou de diagnósticos realizados apenas em estágios avançados.

Por que o histórico familiar aumenta o risco

Pesquisas recentes identificaram variantes genéticas associadas ao glaucoma, à pressão intraocular e às características do nervo óptico. Apesar desses avanços, os especialistas ressaltam que, na maioria dos casos, a doença não depende de um único gene.

"O glaucoma não é uma doença causada por um único gene, mas uma condição multifatorial, na qual fatores genéticos e ambientais interagem", afirma Regina.

Segundo a especialista, isso ajuda a explicar por que diferentes integrantes da mesma família podem compartilhar características que favorecem o desenvolvimento da doença, como alterações anatômicas, padrões semelhantes de pressão intraocular e maior suscetibilidade do nervo óptico aos danos provocados pelo glaucoma.

O maior desafio é identificar quem ainda não sabe que está em risco

Além da predisposição genética, Regina destaca outro problema: muitos familiares de pacientes não se reconhecem como parte de um grupo de risco e, por isso, deixam de procurar acompanhamento oftalmológico regular. A situação contrasta com doenças como diabetes e hipertensão, nas quais a necessidade de monitoramento entre parentes costuma ser mais conhecida.

Essa falta de percepção tem impacto direto no diagnóstico. Muitos pacientes descobrem o glaucoma apenas quando a doença já comprometeu parte da visão de forma irreversível. Em boa parte desses casos, havia histórico familiar que poderia ter servido de alerta para a realização de exames preventivos.

Para a oftalmologista, reduzir os casos de cegueira exige ampliar o foco das ações de conscientização. "Se queremos reduzir a cegueira por glaucoma, precisamos olhar também para os familiares dos pacientes, orientando quem tem maior risco e incentivando a realização de exames periódicos", afirma.

A médica reforça que esse cuidado é ainda mais importante em famílias com histórico de cegueira relacionada ao glaucoma.

"O glaucoma é uma doença silenciosa e, dentro de uma família, dificilmente representa um caso isolado. Conhecer o histórico familiar e fazer acompanhamento oftalmológico regular pode fazer toda a diferença para preservar a visão", conclui Regina.