Fisiologia

Flashes e moscas volantes podem indicar descolamento de retina e exigem avaliação imediata

Doença é rara, mas pode causar perda irreversível da visão se o atendimento e o tratamento demorarem; sintomas costumam ser apenas visuais, sem dor ou olho vermelho.

Por Redação Brazil Health , 10/07/2026

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Flashes e moscas volantes podem indicar descolamento de retina e exigem avaliação imediata

O aparecimento repentino de “moscas volantes”, flashes de luz ou uma sombra no campo de visão pode ser mais do que um incômodo passageiro. Esses sinais podem indicar descolamento de retina, uma condição que, embora não seja comum, é considerada uma urgência por poder levar à perda permanente da visão quando não diagnosticada e tratada a tempo.

O oftalmologista Rubens Belfort Neto alerta que, ao contrário do que muita gente imagina, problemas na retina geralmente não provocam sinais típicos de inflamação. “Doenças da retina, em geral, não causam olho vermelho, dor, lacrimejamento ou sensação de areia. Os sintomas são exclusivamente visuais”, afirma.

Alguns grupos têm risco maior de desenvolver o problema. Entre eles estão pessoas com miopia, diabetes, histórico de trauma ocular (pancadas no olho) e pacientes que já passaram por cirurgia de catarata. Como a cirurgia de catarata é um dos procedimentos mais realizados no mundo, o número de pessoas nessa faixa de risco é elevado.

Sinais de alerta: o que observar

Os principais sinais que devem levar a uma busca imediata por avaliação oftalmológica incluem:

  • aparecimento ou piora de moscas volantes (pontinhos ou “sujeirinhas” que parecem flutuar na visão);
  • flashes de luz, como pequenos relâmpagos;
  • sombra no campo visual ou piora súbita da visão em um dos olhos.

Esses sintomas costumam ocorrer porque o vítreo, um gel que preenche o interior do olho, pode começar a tracionar a retina. Como a retina é o tecido responsável por captar a luz, essa tração pode ser percebida como clarões.

Em alguns casos, essa tração provoca uma pequena rasgadura. Nessa fase inicial, há chance de impedir a evolução do quadro com um procedimento mais simples. “Se for identificado apenas um rasgo, muitas vezes o tratamento é feito rapidamente com laser”, explica Belfort Neto.

O cenário muda quando a retina começa a se descolar da parede do olho. A partir daí, a situação geralmente exige cirurgia e passa a depender, sobretudo, do tempo até o atendimento.

Isso acontece porque as células da retina precisam estar aderidas para receber oxigênio e nutrientes. Com o descolamento, essas células começam a sofrer e podem morrer. O especialista compara o processo a um evento que compromete um tecido vital: “Uma forma simples de entender é comparar com um infarto: se a pessoa demora dias ou semanas para procurar atendimento, muitas vezes já perdeu a chance de salvar aquele tecido”, afirma.

Um dos momentos mais críticos, mas também de maior oportunidade de preservação da visão, ocorre quando parte da retina já descolou, porém a região central (mácula) ainda está preservada. Nessa situação, operar rapidamente pode ser decisivo para manter a visão.

Para confirmar o diagnóstico, o exame oftalmológico precisa avaliar toda a retina, incluindo as áreas periféricas, onde as lesões costumam começar. Em geral, isso exige dilatação ampla da pupila.

Apesar da gravidade, ainda é comum haver atraso para chegar ao diagnóstico e ao tratamento, seja por dificuldade de acesso a especialistas, seja por demora em sistemas de saúde. Belfort Neto reforça que não é um quadro que permita espera: “Descolamento de retina não admite espera. Tanto o diagnóstico quanto a intervenção precisam ser imediatos”, alerta.

O recado é direto: diante de flashes, aumento de moscas volantes ou qualquer mudança visual súbita, a recomendação é procurar um oftalmologista imediatamente.