Fisiologia

Compartilhar colírio aumenta risco de infecções e pode levar à perda de visão

Oftalmologista alerta que frasco usado por outra pessoa pode transmitir microrganismos e agravar quadros como conjuntivite e inflamação da córnea, especialmente no verão.

Por Redação Brazil Health , 16/03/2026

3 min de leitura

Compartilhar colírio aumenta risco de infecções e pode levar à perda de visão

Usar o colírio de um familiar ou amigo pode parecer inofensivo, mas o hábito aumenta o risco de contaminação cruzada e de doenças oculares que vão de conjuntivite a inflamações mais graves na córnea, com possibilidade de queda importante da visão.

Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier, a prática é frequente e aparece no atendimento do hospital. Em análise de prontuários de 850 pacientes, 297 (35%) teriam procurado consulta apenas após usar colírios de terceiros.

“Colírio é medicamento individual e intransferível”, afirma Queiroz Neto. De acordo com ele, a superfície do olho e a lágrima abrigam um conjunto de bactérias, vírus e fungos que funciona como uma barreira natural. Como esse microbioma varia de pessoa para pessoa, o bico dosador do frasco pode facilitar a transferência de microrganismos entre usuários.

Doenças que podem surgir com o uso de colírio de outra pessoa

Entre os problemas associados ao compartilhamento e ao uso sem orientação médica estão conjuntivites virais e bacterianas, olho seco e ceratite (inflamação da córnea). No verão, a atenção deve ser redobrada por ser um período em que casos de conjuntivite tendem a aumentar.

O especialista também chama atenção para efeitos do uso inadequado de alguns tipos de colírio. “O olho seco após uso indevido de colírios é uma deficiência da camada aquosa”, diz. Ele cita que fórmulas com corticoide podem elevar o risco de catarata, e que gotas com anti-histamínico, indicadas em situações específicas, podem reduzir a produção de lágrima quando usadas sem acompanhamento.

Conjuntivite: sinais, cuidados e tratamento

De acordo com Queiroz Neto, nas conjuntivites associadas ao uso indiscriminado de colírios, a forma viral costuma cursar com secreção mais viscosa, enquanto a bacteriana pode produzir secreção purulenta. Vermelhidão, pálpebras inchadas, dor e sensação de areia nos olhos estão entre os sintomas mais comuns.

O tratamento pode durar de uma a duas semanas e, em geral, leva mais tempo nos casos virais. O médico orienta que o uso de colírios deve ocorrer apenas com prescrição. Ele também recomenda ocluir o canto interno do olho após pingar as gotas, para reduzir absorção e possíveis efeitos sistêmicos.

Ceratite pode exigir tratamento intensivo

A ceratite é uma das complicações mais preocupantes. A inflamação da córnea pode causar diminuição da visão e, sem tratamento adequado, evoluir para perda visual. Conforme a causa e a gravidade, o manejo pode incluir medicamentos específicos e, em situações graves, transplante de córnea.

Para reduzir riscos durante quadros de irritação e ressecamento ocular, o especialista sugere medidas de apoio como evitar lente de contato, reduzir exposição a ar-condicionado, usar óculos escuros ao ar livre e manter hidratação adequada. Em colírios lubrificantes, a preferência deve ser por versões sem conservantes, quando indicadas.

Na prevenção de infecções, as orientações incluem manter as mãos limpas, evitar coçar os olhos, não compartilhar toalhas e fronhas e suspender maquiagem e lentes de contato durante o tratamento. Ao notar desconforto persistente, dor, secreção ou piora da visão, a recomendação é procurar um oftalmologista.